Velocidade e pressa

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Sabe o lance do estresse e da ansiedade que vivemos hoje? Quer uma dica de como combater isso? Mude alguns hábitos.

E dar atenção a uma boa conversa, um bom livro, filme, música, série, admirar por tempos uma pintura ou uma obra arquitetônica, a natureza, enfim, são formas de ir, pouco a pouco, alterando essa afobação em nosso peito.

Pensem um pouco, quando queremos apenas a versão reduzida e resumida de tudo, estamos tentando fazer isso também com nós mesmos e, sério, sabemos que você é um ser humano muito mais complexo do que uma frase no Facebook.

Aliás, quantos sentidos profundos perdemos nas linhas e falas das pessoas ao nosso redor, e nas nossas mesmo, por não prestarmos a atenção devida, por não nos determos uns minutos a mais?

Pois é…

Sobre o tempo: conexão (de novo) comigo – meu texto, minhas regras

Desde meus 14 anos, ou antes (mas meus escritos do assunto datam mais ou menos daí), eu tenho uma crise com o tempo. Ele parece pouco, apertado, insuficiente. Chamem como quiser, mas é um sentimento profundo que eu carrego.

Essa talvez seja a crise da humanidade: perecer, morrer e não ter tido tempo de realizar tudo o que desejou ou achou que quis. Concordo, mas eu acho que estamos levando isso a patamares insuportáveis, forçando o tempo a ser cada vez menos suficiente. Explico.

Quando recheamos cada segundo do nosso tempo com coisas aceleradas a fazer, aumentamos ansiedade, diminuímos os períodos que passamos com as pessoas e, mais, diminuímos a qualidade dos momentos vividos, incluindo os pequenos momentos com nós mesmos, sozinhos.

A solidão é uma ameaça para as pessoas atualmente, mas não porque têm medo de ficar sozinhas para a vida toda, sabemos que precisamos de pessoas ao nosso redor. Mas não gostamos daquela solidão de algumas horas sem tarefas nem nada nem ninguém (e falo sem música, livro nem seriado, só você com você mesmo/a), e isso porque, na verdade, não estamos acostumados a ficarmos apenas conosco.

Ou seja, quando nos vemos sozinhos, estamos com alguém que desconhecemos, com quem não sabemos iniciar uma conversa. Alguém de quem, muitas vezes, não sabemos os sonhos, do que gosta, do que não gosta, do que sente, do que vive…

Qual foi a última vez em que você conversou consigo mesmo? (já tinha citado isso nesse Post do espelho aqui).

Está vendo?

Estamos tão sufocados de tudo, criando opiniões sobre tantas coisas, que às vezes nem interessam, e não sabemos nada de nós, não refletimos a respeito do porquê de nossas escolhas e vontades, medos e anseios.

Sinto falta de me entediar, eu fazia muito isso quando criança. E era bom.

A tecnologia não é culpada, claro que não. Mas sim o uso que fazemos dela. Ela facilita o quadro, mas não o determina. Quem o faz somos nós.

Já pararam para pensar que tudo o que inventamos serve para facilitar uma tarefa? Para fazê-la com menor esforço ou em menor tempo? Já pararam para pensar no motivo disso?

Se antes eu demorava 20 minutos para bater um leite à mão e hoje faço isso em 03 minutos antes de entregar ao meu filho, esses 17 minutos restantes deveriam estar ali para que eu pudesse dar mais atenção a ele. Para que eu reparasse em seu sorriso e absorvesse o que ele ou ela me oferece, para que falasse da minha experiência.

O problema é que usamos esse tempo para executar mais tarefas em menos tempo. Mas o tempo que "sobraria" é usado para fazer mais tarefas… E elas nunca acabam, porque engatamos uma coisa na outra, como se tudo fosse urgente (sério, se ninguém vai morrer, não é urgente).

Quando paramos, já estafados, queremos uma diversão idiota e fácil; queremos o resumo porque estamos sem saco para conversar, pensar ou mesmo rir com qualidade.

E aí vem a grande pergunta: você aí que tem medo da morte e condena o suicídio, será que você não está só vivendo o resumo da sua própria vida? Se estiver, qual é a diferença entre passar esses períodos sem qualidade e receber uma história resumida e genérica de existência?

O que estamos fazendo com nós mesmos?

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