Por que falar sobre 13 Reasons Why?

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Decidi citar a série, falar de suicídio, de mim mesmo e da sensação de muitas pessoas que conversam comigo por ler algumas críticas à produção.

Muitas pessoas criticaram a série por abordar o tema do suicídio adolescente e disseram que, mesmo que ela trate de questões importantes como bullying, estupro, etc., isso não valeria a pena, uma vez que ela “glorifica” o suicídio, o que influenciaria na direção do ato.

Essa onda é conhecida como Efeito Werther. Só para ser conciso, no livro de Goethe, “Os sofrimentos do jovem Werther”, o personagem sofre pra cacete por um amor meio que proibido e decide encerrar a própria vida. O livro é bom, já li e, por incrível que pareça, o que se destaca não é a questão do suicídio, mas o estilo, escrito como se fossem diversas cartas. Inclusive, algumas frases maravilhosas ficaram marcadas para mim deste livro, como “rio de meu próprio coração… e faço-lhe todas as vontades” – ela é genial (“rio” de rir, nada de água… só se você rir muito).

Entretanto, ao livro foi atribuída uma grande onda de suicídio por mexer com o tema.

Que me desculpem os que discordam, mas, sinceramente, vale a pena a série tratar o tema, sim, até porque, ao assisti-la, muito mais sensações boas do que ruins vieram à tona – pelo menos em mim – e ela é uma oportunidade de abrir o diálogo, olhar para o lado e falar “tá vendo, às vezes eu me sinto assim”, “sério? Eu não sabia, me fale mais…”.

Culpar a série por um suicídio é o mesmo que culpar uma canção de amor pela sua paixão que pode ter dado errado. A ideia é a mesma: a arte pode até intensificar um sentimento, mas ela não o produz, ela normalmente representa e encontra em você conexão com algo que já estava ali.

Na verdade, acho que dizer o indizível faz da arte uma porta para abertura de diálogos muitas vezes. Pense nisso.

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