Citando a si mesmo e perdendo credibilidade

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No Elite (meu primeiro livro, escrito em 2003, quando eu tinha 16 anos – sim, eu sei, obrigado, “clap, clap” pra mim!), o personagem é um pouco reclamão (não tanto quanto o Danilo, do Divindades, mas tudo bem), e ele chega à conclusão de que "a vida, por mais problemas que se tenha, vale a pena". Eu estou com ele na maior parte do tempo. Mesmo que seja dor, é melhor termos podido senti-la.

Ei, caro leitor que já chegou até aqui (alguém conseguiu? Eu mesmo parei lá no segundo parágrafo da segunda parte), eu não queria te entristecer, longe de mim. Então, espero que minhas crises não te deprimam, mas permitam conversar sobre os assuntos mais sombrios, pois ignorar não os faz sumir e, se há alguém numa condição difícil, não falar ou só vir com respostas prontas só trará vergonha e timidez para a pessoa.

Exercite a compreensão, nesse caso.

Lembre que todas as pessoas da série se culparam um pouco por não falarem ou não darem mais chances para a Hannah falar. Aliás, ela mesma se culpava um pouco por isso. Quantas vezes ela não se calou quando queria gritar? E você? Quantas?

Para você que tem momentos bem ruins a ponto de não querer mais estar aqui, minha dica é: simplifique.

Sei que somos complexos e não estou dizendo para se reduzir a menos do que você é ou sente, mas olhe para onde você encontra prazer, sempre temos três ou mais fontes de coisas que nos alegram.

Eu, por exemplo, costumo me sentir vivo e de bem com a vida em momentos em que escrevo sem praticamente pensar, como se tudo já estivesse pronto na ponta dos meus dedos e as ideias fluíssem no famoso e buscado “fluxo” (o de trabalho, não o das novinhas); nos momentos que falo com outras pessoas, em especial nas conversas intermináveis numa noite gostosa na grama de um parque ou ao final de uma festa, quando a maioria das pessoas já se foi e o assunto fica tão gostoso que você não quer partir; em momentos em que leio ou escuto coisas e acabo entendendo algo profundo; e naqueles em que consigo arrancar sorrisos e gargalhadas espalhafatosas das pessoas, por isso amo humor.

Quando a vida fica difícil demais, eu tento encontrar um pouco de alegria nessas pequenas coisas. Tente imaginar os períodos difíceis como uma bela dor de barriga, é meio foda de segurar, mas, se conseguir, quando sentar no vaso a sensação de alívio será maravilhosa.

Se a vida é uma cagada, vamos pelo menos aproveitar o alívio que temos de vez em quando.

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