O que salva?

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Nesses momentos, é difícil dizer o que "salva".

Às vezes rolam algumas conversas bem pesadas com Deus (ou minha consciência, ou minha terceira personalidade ou o Grande Outro) e falo coisas que não deveria, mas tento não jogar meus erros sobre Ele (o suposto ser supremo). Só pergunto qual é a "droga da ideia de botar a gente aqui pra se ferrar tanto, sonhar sem realizar, enfrentar tudo isso e etc.?".

Quer falar tanto sobre amor e solidariedade, mas quando é para explicar outras coisas a gente chega nos “insondáveis mistérios de Deus”, “no indizível da existência”, “na fronteira do universo”…

Por que nos tirar "poder", por que nos deixar ser invadidos pelo mal, para que deixar existir o mal?

Pegando o exemplo de Deus, se Ele fez tudo do zero, que tivéssemos o livre-arbítrio, mas sem a existência do mal, pô! Será que não seria mais legal?

Enfim, o que salva, afinal?

Bem, estar sempre rodeado de pessoas, familiares, amigos, etc. Isso ajuda um pouco a mudar o quadro, mas é preciso cuidado. Falo por experiência própria e por todas as pessoas que já me contaram algo a respeito.

Isso “salva” porque não dá para "curtir" a vibe triste totalmente quando no meio do povo, mas a angústia parece aumentar um pouco quando é preciso fingir estar tudo bem para lidar com as pessoas, como se você não estivesse se corroendo por dentro e gritando que a existência não faz sentido e que não consegue ficar indiferente a isso e que não entende o vazio, que não suporta a atitude de algumas pessoas e que quem vem com respostas prontas só prejudica mais, muito mais… “Falam demais por não ter nada a dizer”.

Claro que um olhar atento nota a diferença de comportamento, de humor, mas para a maioria das pessoas, acaba passando ileso. Logo, rodear-se de pessoas é bom, desde que você não tenha de fingir nada.

Assim, ironicamente, uma das coisas que mata também salva, que é o lance de não querer atrapalhar, de se preocupar mais com os outros que consigo mesmo. Ou seja, se isso por um lado angustia, porque talvez não se possa se realizar por completo, pois há a preocupação com o bem-estar e com o efeito sobre as pessoas, por outro também impede de fazer bobagens ou de entrar num ciclo sem fim de dor, pois sempre existe a convivência com todos, que exige deixar parte dessa tristeza pra lá, o que permite ver, pouco a pouco, o tanto que temos na vida de bom.

Acredito que a sacada para nunca chegar a um ato de encerramento da própria vida é aceitar a própria complexidade em primeiro lugar!

A empreitada de tentar conhecer um pouco mais de si mesmo e ver como você lidará com diferentes situações, nem que seja por uma mórbida curiosidade, já te dá motivos para ficar vivo. Muito mais do que a sede de consumo, o Facebook ou uma roupa nova, fica a dica!

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