13-reasons-why-asset--1491227461-list-handheld-0As minhas escolhas

A sensação é essa: se eu não tenho poder de decidir quando chego neste mundo, mas me dão livre-arbítrio, na teoria, pelo menos escolho como e quando ir embora. Seja de um ponto de vista puramente antropológico, seja religioso, faz sentido.

Do ponto de vista do ser humano, tentamos, ao máximo, nos livrar de situações desagradáveis. Claro que passar por coisas não tão agradáveis, às vezes, traz recompensas no longo prazo. No entanto, sabemos que nem sempre é assim e muitas horas o que nos resta é só dor e aflição mesmo. Nesse caso, como culpar alguém que quer por fim à própria miséria quando não enxerga perspectiva ou alternativa?

Seria como culpar alguém que pede por eutanásia.

De outro ponto, Deus dá a vida de presente, eu entendo isso, mas e quando você não curte o presente e quer devolver ou trocar? Pode?

Daí, dizem que você vai para o inferno caso se mate. Se houver o mínimo de inteligência divina, isso é balela (primeiro que o conceito de inferno é beeem discutível). Isso porque, se você vem ao mundo sem pedir, aparece e não gosta da coisa, mas tem livre-arbítrio, não seria impositivo demais te fazer sofrer pela eternidade só porque você não curtiu a vida na Terra? Que, aliás, não é nem um pouco legal.

Jesus mesmo, depois que ressuscitou, decidiu cair fora e falou “ah tá, um dia eu volto! Por enquanto, vão tentando entender tudo o que eu disse”.

A angústia de existir é mais forte do que apenas uma decepção focada em um fato específico, até por isso achei interessante a ideia de Hannah Baker “diluir” seu motivo em vários outros, acumulá-los, mas é claro que uma série de decepções e falhas ao longo da vida colaboram para minar a vontade de continuar no jogo… É mais ou menos a ideia do seriado mesmo (que é livro, na real, mas que não li, o que me leva só a falar da série assistida – mas continuamos no próximo).

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