* todas as imagens dessa série de posts são do próprio seriado do Netflix

13-Reasons-Why-2-990x520CUIDADO: esta série de posts pode conter spoilers da série… Na verdade, eu falarei de trechos da série sem explicar muito o contexto para o texto não ficar mais gigante do que já é, seja para preservar vocês – ou por preguiça mesmo.

CUIDADO 2: Se você está aqui só pela série, vai se entediar, falarei mais de mim e de sentimentos das pessoas com quem converso.

CUIDADO 3: Se não estiver bem, se acreditar que é um suicida ou que tenha tendências desse tipo, não leia este texto. Se for um dos chatos do politicamente correto que acha que discutir assuntos duros pode acabar com a sociedade e que é melhor ignorá-los até que fique impossível enfrentá-los (se for cheio de mimimi e frases prontas), não leia o texto a seguir também.

Não quero causar nenhum problema, apenas expressar um sentimento que não some, não importa quantas razões as pessoas me ofereçam. Portanto, aviso, se você não estiver bem, não leia este texto, sério! Eu mesmo estava ótimo quando comecei a escrevê-lo e terminei abalado.

Já pensei em suicídio várias vezes. Pronto! Está aí a afirmação, sem floreios.

Por vários motivos, por várias diferentes razões, por várias diferentes “falta de razão”, talvez. Não vou mentir para tentar ser polido, para meter aquela “silver lining” no assunto porque o tema é polêmico. Eu penso, reflito a respeito e não tenho medo de colocar em pauta. Pessoas nascem e morrem o tempo todo e, por mais que seja bizarro e amedronte um pouco, é uma realidade.

Vivemos num mundo com coisas incríveis, mas também um pouco doente. Não sabemos muita coisa e o que poderia ser impulso também serve de tema para angústia. Então, antes de jogar uma pedra gigante com sua opinião sobre a questão do suicídio, vamos tentar entender, pois o seu medo de falar pode ser o que desencadeia a morte de alguém… Seu medo de pensar a morte pode trazê-la para mais perto!

Quanto a mim, na verdade, desde que eu era muito novo, eu via algo de belo na morte… Parece contraditório um cara como eu enxergar as coisas assim, mas é desta forma que sinto às vezes. Muitos me criticam por achar a morte bonita, mas o que posso fazer se é o que sinto? Já tive discussões infinitas com amigos e familiares, mas ninguém me convenceu do contrário. O que não quer dizer que eu não ache a vida melhor. Já passamos da fase de achar que tudo só tem dois lados, né? Obrigado!

Pode não ser o que eu acredite de maneira lógica e racional (e vamos lembrar que sou de Humanas, tá?), mas o belo é um sentimento e não um padrão, afinal! Um último ato e as coisas que você faz um pouco antes de morrer se tornam muito mais significativos. Na verdade, aparentemente, a morte dá todo o significado da vida, apesar de eu odiar o fato de que morrer te impede de realizar tudo quanto se sonha.

Daí a gente vê que eu já confundi desde o início algo como “sacrifício” e o suicídio em si. E isso tem um motivo: às vezes, o suicídio é visto ou cometido como se olhado como um sacrifício, talvez um ato final para tentar se justificar uma existência que nem sempre tem como ser justificada…

Em alguns momentos de angústia (e todos temos os nossos pelas mais variadas razões, ou mesmo falta de razões), eu já pensei em "morrer", mas nunca em me matar precisamente… É, eu nunca quis me matar (o que torna eu ter pensado em “suicídio” uma afirmação estranha, mas explico a seguir), nunca quis sentir dor, pensar onde seria mais fácil de largar essa carcaça morta – até porque, convenhamos, o mínimo que eu deveria fazer era facilitar essa logística e, de preferência, com o mínimo de sujeira possível.

Louco, mas não era nem em morte que eu penso/pensava, era no que eu chamo de "não existência". Tipo, já que não há razões concretas para se estar aqui, vivo, no mundo, e não vejo um sentido, e já que as coisas são tão duras e dolorosas, seria melhor não existir…

Parece um pensamento de atriz de novela mexicana (the drama queen), mas me passa pela cabeça às vezes: Eu não “atrapalharia” (por falta de palavra melhor) o mundo com minha presença.

No fundo, talvez eu sinta isso, que estou atrapalhando o tempo todo, como se não tivesse o direito de estar por aqui – isso explica porque adoro andar de ônibus e de pessoas (a conexão é com o verbo “adorar”, ok? Não associem ao verbo “andar”, caso contrário ficaria bem estranho dizer que “eu adoro andar de pessoas”), mas me sinto mal quando o local começa a encher e eu pareço estar ocupando o lugar de alguém que pode estar indo fazer algo mais importante – observação rápida, as divagações que se passam em minha mente quando consigo me sentar e pensar na vida, com a cabeça colada à janela, são as melhores.

É um pouco complexo de explicar esse sentimento, mas parece que todas as pessoas do mundo têm prioridade em relação a mim e eu acho normal. Na verdade, sempre me senti de "fora".

Ou seja, se todo mundo tem coisa melhor a fazer do que eu e parece que tudo que estou fazendo é um tanto sem importância, quando eu estou aqui, vivo, mais atrapalho do que ajudo. E une-se a isso outro pensamento que muitos diriam tolo e de um ingrato: eu não quis estar aqui, não fui eu quem decidiu isso.

É óbvio que se todas as pessoas seguissem essa filosofia, não haveria mais nascimentos e amor e alegria e risadas e todas as coisas boas que eu adoro (cheio de aditivos mesmo). Entretanto, não consigo não sentir isso, sentir que algo é estranho, que dói existir porque, não importa quantas pessoas te digam que você tem livre-arbítrio, o fato é que você não teve opção antes de poder aqui estar (o que é contraditório de qualquer forma, pois você teria de existir de alguma forma para negar que queria existir…). E de mais a mais a existência exige tantas coisas que liberdade é um termo bem relativo e até perigoso.

Logo, se eu conseguisse varrer minha aparição da Terra, talvez não tivesse essa dor da existência…

Claro que também não teria toda a alegria, mas não haveria obrigações; não haveria o amor, mas também não haveria as desilusões e as difíceis decisões; não existiria toda palavra amiga e ato de bom coração que já realizei, mas também não haveria as pessoas que decepcionei e a quem fiz mal, propositadamente ou não, tendo ou não conhecimento disso.

Será que tais considerações passaram pela cabeça de Hannah Baker, além da dor que ela vinha sofrendo com os fatos recentes em sua escola? Sim, Hannah, a personagem da nossa série tema, 13 reasons why.

Continuamos nas próximas partes…

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