Se você não tem paciência de ler um longo texto, fique apenas com o resumo, então. De tudo o que eu disser aqui, deixo o meu obrigado como símbolo das palavras a seguir.
Agradeço seu olhar percorrendo minhas linhas. Talvez eu fosse existir de qualquer forma, mas ser lido dá sentido a toda essa trajetória.

Eu ficaria apenas no lugar comum de dizer que o ano passou rápido, ou devagar. Que foi longo, difícil e cheio de acontecimentos, mas isso seria muito fácil.

Acostumei a dizer que 2016 valeu por uma década e que tenho dó de quem for editar a retrospectiva. Foi um ano apegado, daqueles que não quer terminar e se agarra como um carrapato.

2016, o ano que não sabia terminar.

Daí, obviamente, o último dia do ano nos faz refletir sobre nós mesmos e a mente passa nossa própria retrospectiva. Eu posso dizer que gosto do balanço (trabalhei, aprendi e tentei ensinar coisas, publiquei mais um livro – Anita, acesse aqui -, iniciei projetos, organizei coisas e pude participar de momentos importantes na vida de muitas pessoas que eu amo e pelas quais tenho imenso carinho; desde eventos enormes até longas e infindáveis conversas nas madrugadas quentes e frias que se passaram, sem contar deliciosas brejas regadas a risadas e reflexões), apesar desse ter sido, sim, um ano enlameado, complicado de caminhar como andar na areia fofa ou na neve (para os que curtem mais o inverno).

Havia esperança de muita coisa, várias promessas, desejos. Poucos dos esperados se realizaram, muitos dos impensáveis ocorreram. Foram coisas surpreendentes, maravilhosas, algumas que assustaram, outras deliciosas. Cada acontecimento, espera, ato, nos fez ser algo diferente, revelando faces que antes desconhecíamos de nós.

Eu fui um lobo bom e um lobo mau nesse período, fui o extrovertido e o quieto (apesar de algumas pessoas discordarem desse segundo aspecto), fui o esperto e o imbecil, o proativo e o acomodado.

Entre tantas coisas que fui, assim como vocês que me leem, fui um sobrevivente. Se há algo que minha experiência de vida me conta é que a gente vive muita desgraça, vê muita coisa que não queria. Vemos pessoas que amamos se acabarem por bobagem, vemos pessoas ilustres morrerem, vemos tragédias com jovens que nunca são aceitáveis.

Perdemos famosos e não famosos, a economia pareceu difícil, negócios fecharam, empregos foram encerrados, famílias separadas, casamentos desfeitos, amores eternos postos à prova, e falo dos famosos e anônimos também…

Quando esse tipo de coisa ocorre, nossa fé se abala, a esperança parece uma palavra sem sentido e distante, a dor é maior que a certeza do amanhã.

Mas, como eu dizia, se há algo que minha experiência me diz, é que, de uma forma estranha, sobrevivemos e isso mostra que a vida vale a pena.

Pode ser só estatística pelo fato de a maioria das pessoas que conheço estar tentando sobreviver, mas o que complementa essa quase sensação é que as pessoas que resistem são as únicas que aproveitam bons momentos da vida.

Não falo de grana, apesar de saber o quanto ela ajuda em abundância. Falo de sentar nos degraus de uma escada com familiares e/ou amigos e rir das besteiras do dia a dia. Contar um fato, relembrar um momento, jogar algo que divirta acima da competição.

Essas coisas pequenas, e outras grandes também, claro, fazem com que viver se torne gostoso. Como um bate-papo na cama, uma música sussurrada para alguém por quem se tem carinho, um afago nos cabelos, ou a gargalhada gostosa e expansiva de uma observação impossível de ser contida!

Só quem segue em frente chega lá. Ou melhor, caminha por aí, pois, na verdade, a vida não é um lugar ao qual se chega, mas as trilhas pelas quais seguimos.

Isso também parece bem clichê, mas talvez se repita por ser verdade.

Amo os heróis, os super inclusive, e isso tem motivo. Eles seguem quando a situação está sem solução. Escrevi sobre isso ainda hoje, clique aqui, mas é para lembrar que somos nossos próprios pesadelos, monstros e heróis.

Se aprendermos a nos reconhecer e aceitar, ou forçar a barra para modificar o que desejamos, criamos o que vem a seguir.

Não é fácil, dizem que nada que vale a pena é, mas é saboroso quando realizamos algo ou nos deixamos surpreender pela vida.

Sejam intensos, vivam com paixão. Gritem contra o que não querem, suspirem e encham os pulmões com o que amam, sorriam com o que os agrada e fiquem em silêncio apreciando o que admiram. E agradeço a todos que comigo estiveram nesse ano compartilhando cada um desses momentos, e os convido para estarem no próximo também!

Que seus olhares, os mesmos que me leem, demonstrem ao mundo tudo o que podem e querem fazer, e que modifiquem o que desejarem.

Essas janelas da alma são vias de mão dupla, elas absorvem e entregam coisas do mundo e para o mundo. Você é um pouco de tudo que existe, e altera um pouco de tudo quando existe.

Seja o lobo bom ou o lobo mau, mas uive alto para que todos saibam quando você chama para a caçada, chora uma perda ou admira sua lua cheia, a musa!

Um feliz ano novo. Um fênix 2017 (inicialmente essa frase final era com a palavra “feliz”, mas achei que a sugestão do corretor ficou mais poética e foi uma bela alegoria de renascimento, tão necessário.  Fica a “fênix” e inauguro aqui uma nova forma literária: a poesia de corretor!).

Imagem daqui

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