Sabe quando você assiste a algo tão bom que dói? Dói porque é lindo demais para não ser gritado, mas não pode ser porque, do contrário, deixaria de ser tão profundo?

Sabe quando você respira a brisa da noite e ela te lembra que este é o único momento em que você se sente vivo? O único momento em que parece que consegue ser você mesmo em todo seu potencial e essência… O momento que te lembra, hoje, de outros momentos exatamente iguais quando você caminha até o quintal ou janela para olhar o céu, respira fundo e sente o perfume da noite.

Sim, ela é uma dama belíssima que te enlaça e encanta, sussurrando palavras doces ao ouvido para que você a aproveite até o amanhecer. A explosão do sol não carrega os mistérios e delícias dessa dama.

Pois é, o tom é poesia e drama ao mesmo tempo. A vida é feita dessa mistura.

Eu cresci com filmes e livros e canções (assim mesmo, cheio de aditivos) que mostravam o quanto eu sentiria falta da escola enquanto ainda estava nela, e eles estavam todos certos.

Assim como outras histórias que li sobre amor, amizade e mesmo aquelas sobre as quais já escrevi a respeito. Existe verdade em tudo isso de bom e mau. Viver dói.

É bom porque é assim que se pode sentir, aprender, sorver momentos, memórias, essas brisas e essas noites que, desconfio, seja uma apenas, condensada dentro do meu coração e dissipada no céu para me inspirar a contemplá-la.

Mas é ruim porque parece sempre uma fumaça que flutua ao meu redor.

A minha noção da vida está espalhada em migalhas pelos meus textos, conversas, imagens, piadas sobre tudo e sobre mim mesmo. Parece algo que não é sólido e que se desmancha quanto tento agarrar. Basta eu querer definir e tudo se torna etéreo, como minhas divagações: deliciosas e ameaçadoras.

Meus desejos e sonhos me machucam. Na verdade sempre me machucaram. Eu sei que eu não vivo no chão, eu caminho em um algo além da minha mente, da realidade palpável. Só existo de verdade nos recônditos flutuantes da minha imaginação. Como a caverna do filósofo, o que todos podem ver por fora nada mais é que uma sombra… E ela também machuca.

O espelho é um detalhe de superfície e sinto que cada vez que escrevo para me descobrir, acabo deixando uma parte de mim para trás. Como se eu fosse feito de areia e minhas letras de cada grão. Quando tento escrever o que sou, sou um pouco menos do que era há pouco.

Mesmo assim, não me preservo. A musa inspiradora me guia um pouco mais além. Perco-me em minhas letras, soprado pela brisa da dama-noite!

Os momentos que se eternizam na memória são belos e duros. Cada suspiro que a brisa me traz me lembra de um sonho não alcançado.

Dizem que temos de seguir tentando. Continuo, assim, minhas tentativas de sonhar, afinal, é o que faço de melhor.

Boa noite!

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