amigos-e-elite-002A adolescência sempre foi uma época que me intrigou e, não à toa, escrevo muito a respeito dela. O mais engraçado é que eu passei a me encantar pela adolescência quando eu tinha cerca de 13 anos. Lembro-me de estar na sétima série, na escola Jacomo Stávale e de desejar fazer um filme.

Na época, cheguei mesmo a esboçar um roteiro (ou o que eu achei que fosse um roteiro) nas páginas soltas do meu fichário. Infelizmente, eu não tinha o zelo (ou obsessão), que adquiri depois, de guardar cada bobagem e anotação que faço achando que um dia aquilo vai se transformar na minha maior obra (se bem que a verdade deve ser dita e uma anotação de margem de folha, na época da faculdade, por volta de 2006, quando eu estava escrevendo o Memórias de Um Universitário, acabaria se tornando inspiração para O Destino de Anita, criado entre 2012/2013).

Fiz o que acreditei ser o esboço de um roteiro e não havia uma história propriamente dita no meu filme. Naquela época, anos 2000, a ideia era ter várias esquetes juntas. Pedaços de cenas e acontecimentos do dia a dia de adolescentes que deveriam ser engraçadas e que algumas delas se cruzavam para aumentar a diversão.

Havia a ideia, por exemplo, de um irmão mais novo de um dos adolescentes, muito pequeno e magro, segurar uma porção de balões de gás hélio e sair voando em uma das cenas, enquanto o irmão e os amigos estavam distraídos. Depois de quatro ou cinco cenas distintas e com outros personagens, durante uma outra passagem, poder-se-ia ver o mesmo garoto franzino passando voando ao fundo, como se estivesse horas flutuando à deriva – mal sabia eu que, cerca de oito anos depois, em 2008, um padre faria da minha ideia de comédia um drama real… mas ainda assim comédia para quem conhece meu jeito de ver o mundo.

O nome do filme seria “AcidentE Adolescente”. O “E” é maiúsculo mesmo, pois a ideia era ter um “e” de adição sem colocar, para que o nome tivesse mais “fluência”. Vamos combinar que eu tinha 13 anos…

O tempo passou, meu roteiro sumiu e fiquei com aquela sensação de que tinha criado algo incrível e irrecuperável. Dessas sensações que a vida nos dá de que, se tivéssemos guardado apenas aquele rascunho (ou aquele momento ou tivéssemos dito aquela frase), a vida teria sido totalmente diferente e mais incrível.

Uma vez, para meu grupo de amigos de infância (companheiros que até hoje estão a meu lado – ainda bem!), ainda na sétima série, cheguei a propor que todos abandonassem outras ideias e fôssemos todos fazer facul de Cinema juntos.

O Rafael T. disse que isso seria meio impossível, porque as pessoas desejam coisas diferentes e não abandonariam seus caminhos sem ter algo certo na vida. Ele tinha razão. Eu mesmo desejo coisas tão diferentes que não fiz Cinema, me matriculei em Direito e, antes de começar a faculdade, decidi mudar para Jornalismo, curso no qual me formei. Depois me pós-graduei em Semiótica Psicanalítica, curso do qual o garoto de 13 anos que eu fui, se ouvisse o nome, acharia que era algum golpe secreto dos Cavaleiros do Zodíaco.

O tempo passou. A vida continuou incrível, o roteiro nem era tão bom assim (eu acho), mas eu ainda tenho muita vontade de fazer filmes, roteiros, mil livros e contos e crônicas.

Vou fazendo de pouquinho, adicionando minhas memórias, palavras e sentimentos conforme os passos pequenos que dou no mundo real ou na minha mente que, afinal, também faz parte do que existe e, portanto, é real.

Entre trabalhos, escritórios, reuniões e aulas, quando sobra um tempo que não sobra (aquela esticada que damos na madrugada deliciosa – tipo o que o Eduardo L. falou), vou tecendo minhas letras que devem formar alguma espécie de roteiro da minha vida.

Um admirador da adolescência enquanto ainda era apenas um adolescente iniciante. Um roteirista e cineasta que ainda não fez seu filme (e lembro de quebrar a cabeça pensando em como filmaria “tal cena”, enquanto escrevia o roteiro hehe), um escritor que escreve nas próprias entrelinhas, um cara que gosta dum papo descontraído que pode, quem sabe, se tornar o melhor roteiro do seu filme.

Vai ver esse é meu roteiro de vida afinal, uma espécie de AcidentE Adolescente que nunca cresceu direito…

Imagem feita na casa do Adam e, pelo que lembro, por ele mesmo com uma daquelas antigas câmeras de mão

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