PedalarNão vão permitir parcelar as “pedaladas” da Dilma. Particularmente, não acho que o termo pedalada seja o melhor, mas talvez isso seja pela minha inabilidade na bicicleta (sem ofensas, prefeito!). Pedalar, para mim, quase sempre é sinônimo de capotar e, nesse caso da “presidentE”, pedalar foi para continuar andando quando as coisas já tinham ido para o brejo e ninguém queria admitir.

Daí outras declarações batem à porta.

A volta da CPMF grita forte como “correção” na arrecadação e todo mundo que faz transações bancárias e não trabalha apenas com dinheiro vivo reclama da ideia, e com razão. Não funcionou da primeira vez que teria destino valoroso (saúde… cadê?), imagine agora, então, que é para cobrir rombo.

Mas temos os magos de plantão que fazem contas mirabolantes.

O rombo das “pedaladas” que gira em torno de 70 a 75 bilhões de reais em 2015, seria tapado com os por volta de 80 bi gerados em 2016 com a volta do imposto.

Daí dizem que para cobrir as contas terão de cortar do Bolsa Família, cerca de 10 bilhões.

Não sou contra o Bolsa Família, mas acredito que deveria haver um plano melhor elaborado para, paulatinamente, fazer com que os cidadãos dependessem menos e menos do chamado benefício (talvez devesse ser chamado de dignidade mínima).

O problema é quando colocam uma coisa diretamente conectada à outra. “Ou corta do Bolsa Família ou volta a CPMF”. Esse tipo de pensamento é patético.

Enxuguem o Estado!

Não façam joguetes sentimentais com o povo brasileiro do tipo: ou você paga ou pessoas vão morrer; “você trabalha com dinheiro vivo só, agora? Ixi, quantas pessoas estão morrendo porque você não quer dar dinheiro para o imposto…”; pena que muitos estão na miséria por causa dos 10 reais que você não quer deixar descontar (na ida e volta) das transações no seu banco.

Por falar em banco, por que tributar quem usa se a própria instituição está super bem? Ou ninguém se lembra dos mais de 4 bilhões de lucro líquido do Bradesco no segundo trimestre do ano, por exemplo? E o Itaú-Unibanco? Quase 6 bi…

A chamada classe média não é mais média. Tudo que é básico sofreu aumento: alimentação, transporte (combustíveis), energia (e que belas decisões nossa administradora, que já esteve no Ministério de Minas e Energia, tomou nessa área!), sem comentar sobre a água (em especial em São Paulo – valeu Alckmin! “Parem de consumir água, caso contrário, faltará”; “a Sabesp precisa aumentar os preços pela queda na utilização do serviço…”, sou só eu ou tudo isso é muito esquizofrênico?).

O triste não é que a classe média não é mais média, o problema é que a chamada “nova” classe média também não é mais, e está a perigo de voltar para a linha da pobreza. Ou seja, o Brasil conquista e “desconquista” tão rapidamente…

Isso porque não estou nem citando as condições das nossas ruas na cidade de São Paulo, relegadas ao abandono, com asfalto ruim, péssima manutenção de semáforos e forte investimento em radar (vigiar para proteger ou para arrecadar, afinal? Quer garantir a segurança dos cidadãos ou das contas? Se a segurança for prioridade, acredito que o semáforo funcionando é melhor, bem como calçada e pavimento descentes); da Saúde; e a Segurança…

Ainda não compreendo o ódio aos carros que parece se estar criando pouco a pouco aqui também. O prefeito está tentando alternativas, ótimo! Vamos pensar em novas formas e arriscar. Mas também não se deve ter discurso de ódio (que algumas pessoas propagam como se fosse uma guerra santa – e que me esculpem os mulçumanos) com quem adquiriu seu transporte particular e o utiliza de maneira adequada, afinal, não são os donos dos carros que pagam IPVA, Seguro Obrigatório, Taxa de Licenciamento, combustível e manutenção extra por conta das ruas com pavimentação precária?

Inclusive, aumentar o consumo dessa indústria foi ideia de um senhor barbudo, de fala única e que disse que a “marolinha” não nos pegaria.

O lance é que todos estão pagando o pato (sem referências ao Skaf, isso não é propaganda política) e não é hora de criar lados como bem e mal, PT e PSDB (se quem manda é PMDB, afinal, né?), nós e eles, Bolsa família ou não voltar a CPMF. Não!

O lado é um só: o povo brasileiro, os cidadãos estão sofrendo por uma administração parca dos nossos recursos, por decisões equivocadas e políticas públicas que privilegiam não a classe C, D ou E, mas somente a classe A+, etérea e desconhecida. Vejam os números do mercado de luxo, lucros bancários, contas dos bilionários e dos políticos aspirantes…

Se a grande maioria está perdendo ao mesmo tempo é porque alguns muito poucos estão ganhando com isso.

Cunha na Suíça, Dilma e Lula no Petrolão, Aécio no jatinho mineiro… O fato é que quem ficou sem chocolate, com gasolina mais cara e não tem grana nem pro queijo fresco foi o Brasil que trabalha e alimenta todo o sistema!

Enfim, não vão parcelar as pedaladas e elas nem deveriam ter existido para manter um sistema corroído funcionando. No final das contas, talvez minha experiência na bicicleta esteja refletida em tudo isso: Pedalaram para capotar.

O problema é que o povo estava na garupa…

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