mensagens-dia-do-professorHá pouco, a voz do Lenine jogou umas pílulas de sabedoria no meu ouvido: “A vida é tão rara”, “a vida não para”, “o corpo pede um pouco mais de alma”, “e tudo pede um pouco mais de calma”.

Versos, filmes, narrativas. Tudo isso me compõe de uma forma que não sei explicar, mas as pessoas são o maior fator nisso tudo (e não só por serem elas as produtoras de tais peças culturais).

Este ano está com um ar nostálgico, retrospectivo, eu diria. Esse 2015 (e acredito que não há outro) pode estar difícil, com crise econômica ou não, mas não posso negar alguns de seus méritos.

Esqueçam as marginais em São Paulo por alguns momentos, deixem a falta d’água de lado por alguns minutos. Não desejo minimizar nenhum problema dentro ou fora de São Paulo, Brasil ou o mundo (Plutão que me desculpe, mas ainda não passei a me preocupar muito com ele), mas as recordações falam mais alto nesse momento.

Desde o início do ano, venho sendo convidado para uma série de reencontros. Rever amigos da faculdade (de cerca de 10 anos atrás), um dos meus primeiros amigos da escola e mais dois ou três grupos escolares cheios de amigos, todos com momentos especiais para mim.

O mais curioso é que tais encontros não estão conectados entre si e aconteceram de maneira leve e solta. Um convite que bateu aqui, um reencontro ali e pronto! Peguei-me rodeado por pessoas queridas relembrando histórias.

Por atração temática ou não (num bar, com amigos da escola, o citamos), encontrei na rua um antigo professor de Matemática ainda nessa semana e isso me fez, novamente, bem.

Íamos em direções opostas e, assim que acabara de cruzar com ele, voltei-me e gritei “professor?”, ainda sem certeza se meu cérebro havia identificado e relacionado a face à pessoa correta. Ele se voltou, percebi que acertara.

Expliquei quem eu era e de onde o conhecia. A princípio ele não soube o que dizer, mas lembrou do colégio em que eu estudei. Ele me informou que ainda lecionava, porém em escola particular. No curto papo que tivemos, fui tomado por um imenso sentimento de gratidão por aquele senhor que colaborou com minha formação (apesar de eu ter de confessar que Matemática não é meu forte – e qual é meu forte mesmo?).

Antes de me despedir, dei um abraço nele. “Professor, obrigado! Por tudo. De verdade”, disse.

Ele me olhou com o típico olhar de um velhinho bom e me agradeceu de volta, entre o incrédulo e o emocionado.

Parti pensando em como meus amigos, família e professores fizeram (e fazem) da minha vida uma boa história.

Em tempos como os atuais, em que é difícil definir quais princípios perseguimos, não saberia dizer o que considero sucesso, mas acho que ainda tenho guardada no peito a sensação do que acredito ser uma boa vida. Ela inclui boas risadas, broncas que nos engrandecem e impõem limites, amigos que nos acompanham por toda a vida, decepções que nos fortalecem e ajudam a entender os sentimentos (nossos e dos outros) e amores, muitos amores. Que nos encantam, às vezes entristecem, são intensos ou suaves.

Amores que se traduzem em amizades, em obediência, em cumplicidade, em respeito aos mestres e pais, em seguir dicas e até ignorar conselhos.

Desse ponto de vista, minha vida é mais que boa, é rara, como aquela dita pelo Lenine. Melhor que muitos filmes, versos, canções ou narrativas fantásticas. E é, na verdade, uma sensação de gratidão imensa por tudo e todos que me rodeiam – por quem está, por quem já passou por aqui e até por aqueles que virão –, mesmo que eu não consiga mostrar isso tanto quanto gostaria no dia a dia.

A vida financeira pode estar um saco, a gente pode até estar devagar nas marginais e passando sede muito em breve, mas 2015 está sendo um ano com exacerbações do coração!

 

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PS: Eu nunca presenteei um professor com uma maçã.

PS 2: Eu nem gosto de maçãs, portanto o ps anterior se chama consideração.

PS 3: Isso não é uma campanha conta maçãs, acredito no mundo das frutas livres (mas, por via das dúvidas, eu controlaria a população de Kiwis… sem referência aos neozelandeses).

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