1019964_41255370É difícil precisarmos exatamente quando começamos ou o que nos motivou a determinados caminhos na vida. Escrever, por exemplo, é uma necessidade para mim, muito mais que um hábito. Consigo não escrever, não é um hábito como minha rotina de café ou banho, por exemplo. Mas ficar sem escrever me causa angústia. Ver que estou caminhando pelas ruas e não pensando em algo me dá pânico. É nas linhas que saem de mim que me defino, ainda que muito imprecisamente.

Sem falar em qualidade de texto ou estilo (alguns podem gostar do que leem de mim e outros odiarem), só digo que escrever faz parte do que sou hoje.

Recentemente, porém, conversando com velhos amigos da escola – e lá se vão já uns 10 anos desde que nos formamos – vi que a escrita me definia bem antes.

Uma amiga incrível (na verdade, mais de uma) teve a feliz atitude de guardar recados escolares desde nosso infante convívio. Anos que, diga-se de passagem, somam-se por bem mais de 10 anos, uma vez que, formados por volta de 2004, os recados retomam períodos anteriores.

Nessas cartas, vi que eu já me definia pela escrita muito tempo antes do que acreditava.

Enquanto outros colegas escreviam uma frase de despedida, eu escrevia uma página. Enquanto outros faziam uma página, eu escrevia folhas e folhas. Não era uma competição de “quem escreve mais”, mas percebi que, expressando-me pelas linhas e letras, discorria mais que de qualquer outra forma.

Vai saber o motivo pelo qual gosto tanto de escrever e de boas histórias. Influência familiar é uma verdade, mas uma vida com histórias de pessoas próximas que me encantaram e surpreenderam também o são.

Minhas palavras escritas agradecem e se curvam ante meus amigos, familiares, paixões e quaisquer outras narrativas que me constituíram.

Quando penso em minhas histórias inventadas, lembro-me de um menino que contava coisas. Uns diriam mentiras, outros falariam em criatividade.

Sou um garoto que passou a acreditar nas mentiras e invenções que conta e que escuta e, em determinada medida, elas superam de longe a realidade e remetem a lembranças mais doces, jovens e cheias de possibilidades.

 

Imagem do freeimages – autor: Rae Grimm

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