cadeadosA retirada dos cadeados da ponte de Paris e a insistência de muitos casais em continuarem colocando cadeados em gradis de pontes, seja em Paris, Roma ou qualquer outra cidade tida como romântica revela um problema ambiental.

Não é o peso, apenas, o problema, não é a questão da estética e muito menos o metal jogado aos rios.

Substituímos o antigo coração gravado com um canivete em uma árvore pelos cadeados de metal nas pontes. Por um lado, temos poucas árvores nas cidades (europeias ou brasileiras), por outro, uma obsessão maníaca de posse sobre as pessoas.

O nostálgico coração marcado na madeira, mais natural, condensado pela seiva do tempo e até aberto a alterações e inclusões, deu espaço ao cadeado – de metal, fechado, travado para sempre. Aquelas almas não podem se libertar.

Quanto mais liberdade de relacionamento reclamamos na sociedade moderna, mais cresce a nossa ânsia de posse, de ter algo (porque, então, já não é um alguém) só meu, para sempre, mesmo que eu não tenha certeza do amor futuro.

Eleva-se a balada, a bebida e a diversão descompromissada. Deita-se sozinho(a), bêbado e com um vazio no peito.

Os embriagados de álcool dormem sonhando (e talvez invejando) os embriagados pelo antigo amor. Libertos em um vão de si, desejam a prisão de um cadeado, uma ponte, uma árvore, um rabisco numa folha de papel que fosse. Aceitam até post-it!

 

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