Imagem

As lembranças são coisas esquisitas. Particularmente, adoro lembrar coisas variadas, não é uma questão de viver no passado e sim uma forma de me divertir com o que tenho já guardado. Minhas lembranças acabam ganhando contornos românticos por diversas vezes.

O que me impressiona, no entanto, é o gatilho de tais lembranças, ou deveria dizer os gatilhos. As lembranças visuais, digamos, são as mais intensas e constantes no meu caso, sem dúvida, e são complementadas por outras, como a auditiva e a olfativa, além da táctil. Sem contar a do paladar, que só não adicionei àquela lista porque eu a prefiro no presente e não apenas na lembrança, se é que me entendem.

No caso dos gatilhos, é curioso ver como algumas coisas se conectaram de maneira (ouso dizer) bizarra em minha mente. Por exemplo, hoje acordei relembrando uma música cantada por Martinho da Vila em seu CD ao vivo. A música era “disritmia”, um clássico, praticamente. E o que ela me faz lembrar? Uma paixão fugaz? Um amor do passado? Uma bebedeira intensa que tive?

Não, não e não. A partir de músicas como essa eu consigo imaginar todas essas coisas, mas lembrar eu lembro mesmo de jogar Ace Combat 3. Pois é… Não sei se isso é legal ou triste, mas é bizarro.

Ace Combat nunca foi meu jogo preferido, mas perdi um bom tempo com ele (o que me faz lembrar outra conversa que tive a respeito de jogos, deixa pra depois), no bom sentido. Passei algumas tardes sobrevoando umas paisagens diversas e curiosamente escutando Martinho da Vila. Não, nenhum motivo especial para a conexão, eu acho, mas era o que eu fazia.

E agora me vem uma lista de lembranças bizarras que se conectam pela música. Por exemplo, escutar Los Hermanos (em especial O Vencedor) me lembra o jogo Baldur’s Gate: Dark Alliance II, que zerei com este som. (RPG e Los Hermanos, pode isso Arnaldo?)

Red Hot Chili Peppers, por exemplo, me lembra muito de Driver (o 1, o 2 etc…), pois foi uma franquia que acompanhei com esse som e mais dois amigos. Costumávamos nos reunir na minha casa, à tarde, e tagarelar e jogar por horas. (Ainda tenho raiva da dificuldade da fase do presidente com a limusine).

As músicas disparam alguns jogos em minha memória, o que não faz de mim um insensível, é claro que algumas delas me lembram momentos românticos com garotas, finais de relacionamentos, o final da escola, etc. No entanto, hoje me lembrei de coisas esquisitas.

Assim como o programa de rádio “Chupim” (da Metropolitana, se não me engano), faz-me recordar do jogo Street Fighter II para Super Nintendo, que eu costumava jogar com meu irmão no início das noites. Detalhe especial dessa lembrança era que, na época, tínhamos uma televisão em nosso quarto (comprada a muito custo) e a tínhamos colocado num desses suportes de parede “para economizar espaço”. Ocorre que, seguindo exemplos de hospitais, colocamos o suporte alto demais, para assistirmos deitados em nossas camas. Não contávamos, no entanto, que, para jogar videogame, não conseguíamos deitar normalmente, uma vez que tínhamos a limitação dos fios do controle.

A pior coisa era jogar sentado, olhando para o alto, e muito próximos ao videogame, dava uma dor no pescoço incrível. Felizmente, como a vontade é amiga da criatividade, achamos uma maneira de deitar na cama com metade do corpo apenas, colocando nossas pernas apoiadas sobre os “pés” da cama, que eram da mesma altura da cabeceira. Não era o ideal de conforto, mas dava para passar um bom tempo ali. Tempo suficiente para abrir o pulso por movimentos repetitivos e até mesmo queimar a pele dos dedões esquerdos de tanto fazer guerra de hadouken.

Na seara “lembranças disparadas por coisas esquisitas e sem conexões aparentes”, existe também a do cheiro de uma colônia que minha mãe compra de vez em quando e que tem cheiro de bebê (um cheiro fresco ao estilo banho e depois perfume verde antigo com tampa amarela, da Turma da Mônica) e que me faz lembrar o jogo Resident Evil 2, com a Claire e com o Leon, em especial a primeira vez em que os personagens entram na delegacia devastada.

A mais clássica lembrança, e talvez a mais gostosa também (apesar de ser a mais esquisita), é a de rever e escutar mentalmente o desenho animado Os Cavaleiros do Zodíaco quando sinto um cheiro… o de odorizador de privada (cor rosa, se não me engano). Sim, o “cheirinho de banheiro” da cor rosa me lembra um desenho e isso eu não sei explicar. Uma vez que naquela época eu mal tinha TV na sala, nem imaginava assistir algo enquanto estivesse no banheiro.

“Me deixe hipnotizado, pra acabar de vez com essa disritmia… Bull’s eye”.

 

imagem

Anúncios