ficcao-mosqueteirosExiste um fio da minha barba que dói. Especificamente do buço, o famoso bigode. Eu gosto de usar barba, é um tipo de fixação antiga. Quando eu era criança, esperava pelo momento em que teria, ao menos, um cavanhaque. Talvez eu tenha assistido demais a alguns filmes dos Mosqueteiros.

Fato é que já investiguei meu rosto atrás de um motivo para a dor e não encontrei. Não parece ser um fio encravado, não tenho uma espinha (externa ou interna) por nascer ali, e nunca ouvi falar de câncer em barba, ainda mais num único fio.

Sou resistente (teimoso, diriam as garotas com as quais já me relacionei nessa existência) e não vou tirar este fio.

Se está frio ou calor, ele dói. Se acordo me achando bonito ou feio, dor. Se tenho dinheiro no bolso ou não, ainda ofende meu sistema nervoso com sensações desagradáveis, ou seja, dói.

A verdade é que não importa o quão bem ou mal eu esteja, existe dentro de mim uma dor que sobe até a superfície e se manifesta em forma de um fio de barba, como qualquer outro, mas que esconde raízes mais profundas, quem sabe.

Na impossibilidade de fazer análise ou retirar a barba, deixo-o doer e tento me acostumar com essa micro-pontada. Como uma lembrança de que algo é estrutural e desconhecemos a fonte.

Dei o nome de “vida” para este fio que me lembra de minha existência física e irritável à dor. E às vezes até a dor é boa.

Vai ver isso sim me deixa parecido com um Mosqueteiro.

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