pepino e alho Eu tenho um estômago forte. Depois de anos treinando-o como se ele fosse entrar para o Bope ou o Hesbollah, comendo de tudo, em todas as quantidades e em quaisquer circunstâncias – até desrespeitando a regra dos 5 segundos de alimentos que caíram ao chão pela maldita lei da gravidade – posso dizer que ele é forte.

Eu como feijoada às duas da manhã e vou dormir como se tivesse ingerido um leve e suave chá inglês em infusão perfeita. Não posso reclamar do meu estômago.

Ele também tem suas manhas e mimos, por exemplo, é espaçoso. Já retirei o apêndice, um rim e um pulmão, não por problemas em tais órgãos, mas para que houvesse mais espaço para o estômago. Estou chegando ao nível infinito.

Entretanto, mesmo com essa força toda, algo me incomoda de vez em quando. Não sei se acontece com todo mundo, e desconfio que aconteça, mas alguns tipos de alimento se apegam a nós.

Eu acredito que não seja um problema do meu estômago em si, mas sim de carência.

Carência, sim!

Alguns alimentos são tão carentes que querem ser lembrados por nós pelo resto do dia, mesmo que os tenhamos comido no almoço, no café da manhã ou mesmo olhado para eles dentro de uma geladeira.

Eles nem precisam ser alimentos fortes, mas a melancia, por exemplo, é uma danada dessas. Tomou um suco, comeu um pedaço, pronto! Ela te acompanhará por cerca de 24 horas.

Caso tente esquecê-la ou beber bastante água para ver se ela sai de circulação mais fácil, o que ocorre é uma reação mágica em que parece que você tomou água tônica. Resultado, você arrota melancia o dia todo e passa a admirar o bom humor da Magali (Turma da Mônica) por comer tanto daquilo sem fazer referências a ela.

O pepino segue o mesmo padrão. Um pedaço de um centímetro cúbico aparece numa salada ao meio-dia e um cheiro refrescante de pepino sobe do seu estômago à meia-noite, te colocando para dormir com aquele frescor maior que o da pasta de dentes.

A minha impressão é a de que são alimentos carentes, assim como o alho (especialmente frito ou torrado), entre tantos outros. Outro dia tentei até cantar uma música para um alho frito que peguei num macarrão alho e óleo para ver se ele decidia ir embora. Não funcionou imediatamente, mas os arrotos temáticos (por assim dizer) diminuíram.

Hoje, almocei um frango frito com alho, comi uma salada de tomate com pepino e um pedaço de melancia na sobremesa…

Estou fazendo um poema para eles para ver se consigo me ver livre antes do Natal!

 

 

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