Título vem da música de Gabriel, O Pensador.

 

em progresso Alguns falam em "Primavera brasileira", revolta do vinagre (ou até do tomate). Eu digo que não importa o nome nesse momento, importam, sim, os atos e o engajamento.

Desde pequeno, estudando em escolas públicas, espero pelo momento em que as manifestações de pessoas preocupadas com o país sejam eficientes e "contaminem" a maior parte do nosso povo. Parece que o momento realmente chegou.

A tarifa do transporte em diversos locais foi "reduzida", mas essa não é a questão, nunca foi! A questão é, em verdade, o povo tomar o local de povo e fazer valer a democracia, ocupar as ruas, que é o seu lugar; gritar alto, pois tem uma voz que deve ser ouvida; mostrar que sabe ser pacífico e não passivo; que se preocupa e sabe o que ocorre ao seu redor; um povo que mostra que não somos um bando de garotos e garotas mimados e alienados que aceitam tudo de cabeça baixa.

O grito nas ruas é por uma educação de qualidade, daquele tipo que os professores tentam há anos; é por saúde de verdade, com os serviços que os médicos se esforçam para nos prestar diariamente e não possuem subsídios; é por transporte público eficiente e que não nos coloque numa posição de "sardinha.zip"; é por segurança e não violência; é contra os abusos que já levaram tempo demais.

A questão não é tirar um ou outro político do poder, mas sim fazê-los trabalhar para nós, a função que deveriam ocupar desde sempre. Substituir um rosto por outro mais simpático não resolve a situação, precisamos de ações e decisões.

Queremos que prestem conta dos gastos e expliquem para onde vai nosso dinheiro, de verdade, e não com relatórios que se prestam apenas a escapar da raia.protesto 20 centavos

O problema do Brasil não é um ou outro, o problema do nosso país é esse conjunto de coisas erradas que se prolongou por tempo demais.

Agora, nas ruas, vemos jovens, até então tachados de inertes e inconsequentes; vemos pais e mães, que até então tinham sido soterrados por cargas tributárias que não permitiam desviar o olhar de uma parca "sobrevivência"; vemos crianças erguidas nos ombros, mostrando que preparar um ser humano para a vida é muito mais do que colocá-lo numa aula de natação ou presentear com aparatos tecnológicos; vemos senhores e senhoras que decidiram NÃO dizer que "eu já fiz minha parte, agora é com vocês".

Essa luta é sua, é minha, é de todos! Todo esse nosso povo maravilhoso que enfrenta agora uma decisão que definirá o rumo do país.

As coisas não acontecem do dia para a noite, mas não são tão lentas como pintaram para nós até então. Começamos o processo de mudança, não deixemos a peteca cair agora.

Não vamos parar só por conta de alguns centavos reduzidos, precisamos de mais, merecemos mais. Mais atenção a tudo aquilo que realmente importa para nos dizermos um país em progresso. Com ordem, sim, mas que a ordem não seja sinônimo de repressão ou inatividade, mas sim de respeito.

Os governantes devem estar preocupados em atender as demandas da nossa população. E quando digo "nossa" não falo dos paulistanos ou dos paulistas, mas dos brasileiros, pois é isso que tenho visto.

verás que um filho teu Vi manifestações no Acre, em Brasília, em Fortaleza, no Rio de Janeiro, em São Paulo, em Belo Horizonte e muito mais… Sim, misturo estados e cidades, e deveria misturar bairros, condados e vilas nessa citação, porque agora sim somos um povo. Não divididos por administrações regionais, mas unidos pelas necessidades que nos fazem humanos, cidadãos, com direitos, sim, mas também com deveres. E demonstramos esses dois lados da mesma moeda quando exigimos justiça. Protestar, se fazer ouvir e gritar alto é DIREITO E DEVER.

Não vamos deixar que pequenos grupos violentos desanimem essa massa de gente que não é mais "massa de manobra". Que a polícia mantenha a ordem controlando apenas os vândalos e saqueadores, garantindo ao povo seu direito de manifestação e expressão, pois cada um dos policiais ali sofre com os mesmos tributos e condições péssimas de vida, bem como suas famílias.

Que nós mesmos, como população, consigamos coibir atos de violência de alguns descontrolados. Que não deixemos partidos políticos tomarem para si a voz de toda uma nação. Não é uma questão de partidos, chega de perpetuação de poder ou troca de rostos apenas. A questão agora é fazer acontecer um novo país, tão esperado e anunciado.

O Brasil é o país do futuro, o gigante acordou, agora é a nossa vez, a rua é a maior arquibancada… Que todos os bordões publicitários, poéticos ou filosóficos se tornem verdadeiros, mas não para sorrirmos frente a um aparelho de televisão, mas sim para gritarmos nas ruas e reivindicar o que é nosso. Que o Brasil se preocupe em ser um bom país para seu povo e não para olhares externos apenas.

Nesses últimos dias eu tenho caminhado por essas ruas e finalmente sentido uma sensação de pertencimento, de união, de nação. Longe da vaga ideia esportiva que até então tentaram nos dar e convencer.vem pra rua

Que me perdoem os atletas futebolísticos, mas só agora é que passei a sentir o "Verdadeiro orgulho de ser brasileiro"!

Vamos às ruas, vamos exigir o que é nosso há tempos.

Não quero saber se você é negro, branco, japonês ou turco; se é hetero, homo, bi ou polissexual; se é católico, evangélico, umbandista, ateu ou budista; se é homem, mulher, criança ou idoso; se é de direita, esquerda, centro, cima ou baixo; se é classe média, alta, baixa ou miserável; não quero saber se é nerd, roqueiro, pagodeiro ou sambista; se é jornalista, cineasta, engenheiro ou historiador. As perguntas são: você é brasileiro? Você vive aqui e acredita que pode ser bem diferente do que vivemos hoje?

protesto independênciaSe as respostas forem sim, vamos parar de pensar em utopia e realizar esses sonhos que já demoraram demais. Uma hora é preciso tirar os olhos do mapa e começar a cavar.

O maior tesouro nós descobrimos esses dias: a força que temos como povo, sem rótulos.

O que posso dizer a todos é obrigado, e já que é para viver, vamos fazer uma história que valha a pena ser lembrada!

"Verás que um filho teu não foge à luta"!

 

Um dos vídeos de apoio ao movimento

 

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