Legião Urbana Ontem à noite, durante uma aula na pós-graduação, estava comentando com uma amiga o quanto eu gosto de Legião Urbana. Sim, gosto e não "gostava", porque até hoje escuto, penso, me emociono. Não é uma questão de escutar músicas que fizeram parte de seu passado, também, mas principalmente escutar algo que te toque, faça pensar.

Seja pelas melodias, seja pelas letras, Legião ainda mexe com o coração e a cabeça das pessoas.

Sou um pouco desligado e nem sabia que ontem rolaria o tributo à Legião, lá no Espaço das Américas, com Dado e Bonfá. Qual não foi minha surpresa ao mudar canais antes de dormir e encontrar o show rolando, com Wagner Moura no vocal… Quem?

Pois é! A princípio estranhei, achei que fosse mais algum filme sendo promovido, mas não era. O ator estava como vocalista da banda.

Por alguns segundos achei a escolha errada. Wagner não tinha voz, ficava sem fôlego. Nas primeiras canções ele ficou um pouco sem saber o que fazer. Não sabia se corria, pulava, se remexia ou ficava com a voz embargada… Daí saquei o quanto aquilo era genial.

Ouvindo o show parecia que era um bar de karaokê e o Wagner era o cara que cria coragem, sobe no palco e canta o que gosta, o que lembra, mas, acima de tudo, canta o que vibra o próprio peito.

A escolha, afinal, foi perfeita!

Quando assisti ao filme O Homem do Futuro, com o próprio Wagner, e o vi cantando Tempo perdido, achei sensacional a atuação dele. Olhando para aquela que era sua amada no filme (a incrível Alinne Moraes) e cantando, ele demonstrava uma expressão de encanto, com brilho nos olhos. Tinha uma crença naquele momento, uma inocência, uma vontade de viver e fazer mais pelo mundo.

Achei que fosse uma interpretação do Zero (seu personagem no filme) para a garota, mas ontem vi que era do próprio Wagner para com a canção.

Ontem, Wagner não era um cara tentando ser Renato Russo, não queria rivalizar voz ou jeito, mesmo seus tremeliques e danças no palco não eram uma encenação de Renato, mas sim vibração. Ele era um fã curtindo o show dos caras que fizeram parte da vida dele, escutando músicas que ainda encantam… e dane-se a voz errada, engasgada ou embargada ou os possíveis erros, microfonias, etc. O início da Legião é rock, e rock não tem de ser limpo, tem de ser visceral (homenagem a um amigo que adora essa palavra).

O tributo à Legião Urbana parecia um show de garagem, parecia uns amigos no karaokê, uma galera reunida pra entoar aquilo que gosta, não importando a técnica em si. Isso sim é um tributo, uma homenagem, e não uma tentativa de reproduzir passo a passo o que os caras fizeram no passado.

As pessoas confundem tributo com a tentativa de cópia.

Ontem a galera só queria cantar, gritar e lembrar o quanto a Legião Urbana ainda vive, pulsa. Sucesso!

Que forma melhor de fazer um tributo senão reunir uma galera no meio de uma metrópole como Sampa, numa terça-feira de noite, sem se importar com o outro dia e apenas preocupada em cantar e liberar uma energia absurda que percorreu os concretos da cidade.

Um público cantando junto com o fã que subiu ao palco. Pessoas cantando em casa na madrugada. Em cima dos telhados, nas antenas de TV, música… A verdadeira Legião Urbana, como uma irmandade que permanece oculta, mas acredita que o mundo ainda pode ser mudado!

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