SL – Série Legião: textos para acalmar o coração

Toquem a música e lembrem que sempre podemos mudar o mundo, o nosso e o dos outros

sol na janela– Quando o sol bater na janela do teu quarto, lembra e vê que o caminho é um só – o monge pronunciou essas palavras num tom de oração, enquanto olhava o amanhecer de sua janela de madeira rústica. Eram palavras de agradecimento. Não morava muito longe da cidade, mas a pequena vila onde residia lhe trazia paz.

Morava sozinho, mas não era solitário, e muitos o procuravam em busca de ensinamentos. Naquela manhã um homem veio vê-lo.

Padecia dos problemas da cidade grande. Trabalhava demais, recebia de menos, tinha um vazio no coração que não sabia preencher e se sentia distante de todos. Dos pais, dos amigos, da namorada, sentia-se distante até mesmo daqueles que não conhecia, vizinhos e passantes do bairro.

Procurava o monge para pedir conselhos, queria mudar de vida, mas isso sempre parece tão difícil. O sossegado senhor respondeu:

– Por que esperar, se podemos começar tudo de novo agora mesmo?

“A humanidade é desumana”, respondeu-lhe o rapaz. Tinha medo de não conseguir manter um padrão de vida ao qual se acostumara. Tinha medo de perder justamente a maioria das coisas que o deixavam naquela situação desconfortável e que, por algum motivo, ele acreditava que o definiam.

– Mas ainda temos chance – disse-lhe o monge – o sol nasce pra todos, só não sabe quem não quer.

O rapaz já ia começar a se justificar e buscar motivos para se prender a uma forma de existência que não queria quando o monge lhe convidou a entoar a mesma oração da manhã. Cantaram juntos.

– Quando o sol bater na janela do teu quarto, lembra e vê que o caminho é um só…

O homem conseguiu sorrir depois destas palavras, como se desafogasse algo do peito. Quis saber qual era esse caminho, mas o monge disse que a verdade se revela de forma diferente para cada um, apesar de ser uma apenas. Olhou profundamente nos olhos do rapaz e falou:

– Até bem pouco tempo atrás, poderíamos mudar o mundo. Quem roubou nossa coragem?

Como que por mágica, lágrimas vieram ao rosto do jovem, que contou que se sentia mais fraco ultimamente, distante do garoto destemido que já fora. “Tudo é dor e…”, balbuciou.

– Toda dor vem do desejo de não sentimos dor. Traduziu o monge, indicando ao homem que ao tentar evitar nossas mazelas, entregamo-nos a um sofrimento desnecessário, psicológico, sentimental e profundo o qual não precisaríamos experimentar se o medo não existisse.

“A antecipação do sofrimento é a única dor verdadeira”, completou o monge com um olhar amistoso e paternal.

Como que entendendo tudo o que se passava, o rapaz levantou a cabeça ainda com lágrimas nos olhos, mas sorrindo dessa vez. Respirou fundo, ergueu a face para aquele céu azul que o cobria e como que espantando todos os seus problemas e barreiras entoou:

– Quando o sol bater na janela do teu quarto, lembra e vê que o caminho é um só!

Em algum lugar, Deus sorriu!

A imagem chegou com os raios de sol deste local aqui

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