estacao-de-tremEra noite, tarde.

Ele atravessou calmamente o pátio entre as estações e ficou de pé olhando-a entre as grades. Ela estava sentada, com seu jeito de menina, delicado – pensou em como era curioso como às vezes ela parecia uma mulher cheia de atitude e, de repente, uma menina a ser cuidada.

Ela acenou de maneira suave e ele demonstrou um olhar mais demorado, profundo, apertando os lábios em sinal de resposta, num meio-sorriso. Ela pareceu satisfeita, plena.

Ali, contemplando sua garota ao longe, pareceu-lhe ser uma cena eterna, o resumo da vida talvez.

Ele aguardou até que o trem dela chegasse, não podia fazer muito, as coisas eram assim, mas cuidava dela com seu olhar, acariciava-a ao longe pelo brilho de suas íris.

Quando ela partiu, ele tentou pegar um ônibus de volta para casa, mas já era tarde, mais, demais.

Qualquer outro ficaria desapontado, mas ele decidiu caminhar. A noite trazia uma brisa boa o suficiente para andar e ele seguiu o suspiro do céu enegrecido.

A cidade batia junto com suas passadas no asfalto, suavemente. Por mais que alguns veículos lhe passassem perto apressados, nada o atingia. As luzes amareladas da cidade traziam boas sensações ao peito e sua respiração transformava tudo em magia.

Hoje os amantes já não estão mais juntos, os trens mudaram os horários, e a vida tem alguns aspectos que a gente nunca entende completamente.

Podem não mais se amar, mas na lembrança, quando vem à tona, ela ainda é uma menina que só precisa de carinho e ele um garoto apaixonado que voltou a pé para casa… pensando em sua amada durante todo o caminho.

 

A figura chegou de viagem daqui

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