backstreetboysA afirmação parece tola e óbvia demais, já que, a cada segundo, tudo o que existe está ficando mais velho. E aí começam as perguntas sobre o que estamos fazendo da vida, sobre o que vale a pena e etc., mas esse não é o ponto, ou talvez seja!

O fato é que alguém aqui do quarteirão (um saudosista ou uma criança curiosa que achou um porta-CD empoeirado) resolveu ligar o rádio alto e colocar uma música dos Backstreet Boys pra tocar (♪I want in that way♫), foi aí que me veio a sensação.

O engraçado é que descobri que estou velho não porque a música é antiga, mas pelo sentimento que me causou: percebi que não odeio a música e, de certa forma, sabia até cantar alguns trechos.

Ocorre que lá nos idos de 1998, quando eu supostamente estava na 5ª série, as boybands já tinham estourado e os Backstreet Boys estavam no auge, pelo menos na minha limitada área cultural da época.

Todas as garotas sabiam dançar e todos os meninos sabiam odiar. Não sei exatamente o motivo, mas nenhum de nós meninos comprava (pelo menos não abertamente) muito aquela ideia de garotos estereotipados (o carinha de menina de cabelo comprido, o riquinho de gel no cabelo, o maloqueiro semi-rapper, o tipo amante latino etc.). O resultado era que criticávamos bastante as garotas pelo som.

Talvez fosse ciúmes de que elas estivessem mais interessadas na capa de um CD (na época absurdamente caro para os nossos padrões) do que em nós, meninos que tentavam se desenvolver e manter o uniforme limpo depois da aula de Educação Física (que consistia num professor jogar uma bola de futebol para os meninos e uma de vôlei para as meninas).

Fato é que cresci e, hoje, quando escuto algumas dessas novas bandas modinhas, sinto uma pequena repulsa e vontade de me enforcar com meu próprio intestino.

Escatologias à parte, o que quero dizer é que, quando minha mente fez uma rápida comparação entre a citada boyband com as outras figuras atuais do cenário musical a conclusão rápida foi: “esse mundo ta uma droga… até o que eu considerava péssimo na minha época é melhor do que o que faz sucesso hoje”. Ganhei 70 anos de bônus só nessa afirmação.

Parei um pouco e refleti sobre a reflexão, numa metalinguagem esquizofrênica da minha cabeça.

Estamos ficando velhos a cada segundo, sim, mas isso não significa que o mundo piora na mesma proporção ou que as músicas de antes são melhores que as de hoje (mas que fique claro que prefiro as de antes… e não falo das boybands). Significa que gostamos de nos apegar ao passado e não que meu gosto tenha mudado, mas que o ser humano gosta de repetição e que uma música de que eu não gosto, mas convivo há tempos, é muito mais fácil de aceitar do que uma nova que, vamos admitir, nem sempre nos damos ao luxo de parar e escutar com atenção.

Mesmo o pior do passado é melhor que o presente, típica afirmação de quem envelhece e nem sempre se dá conta.

O tempo passa, a cada segundo estamos mais perto da morte e… diz aí, você vai gastar a sua vida reclamando apenas?

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