Selo RA (Realidade Absurda) – textos com isenção de moral, apego a valores ou ética. A culpa é dos personagens, mas você ri porque se identifica em algum lugar!

 

conversa1Numa roda de colegas que falavam a respeito de relacionamentos virtuais e do antigo(?) jogo Second Life.

– Eu já escrevi um texto sobre isso, falando um pouco de como…

– Caramba! Mas você também já escreveu sobre tudo, tá parecendo a XX (pessoa idosa que se gaba de ter escrito sobre tudo e brigado com todas as figuras acadêmicas acima dos 50 anos)! – interrompeu uma das amigas em tom de brincadeira.

– Na verdade, já escrevi sobre bastante coisa, mas só reflexões aleatórias. É isso que dá transar pouco na adolescência, sobra muito tempo!

– E o que seria transar pouco na adolescência? – indagou outro colega.

– Bem – respondeu o que escrevia –, eu estudei em escola pública. Ali, se você não está transando nesse exato momento, na média geral, já está transando pouco!

Logo, o assunto se tornou uma discussão sobre onde se transa mais, escolas públicas ou privadas.

A teoria é de que em escolas públicas o pessoal começa cedo, mas na privada têm mais respaldo financeiro para bancar a situação (fora o tempo livre já que você não precisa traficar para continuar estudando).

A galera da escola privada vai fazer outro tipo de experiência, mais higienizada, protegida, com depilação e drogas pesadas (compradas com os distribuidores da escola pública) para acompanhar a relação! As meninas vão comprar lingerie especial, aquela calcinha típica de fetiches desenvolvidos. Ambos os sexos vão acessar a internet de banda larga para dar uma pesquisada nuns possíveis produtos para apimentar uma relação que nem começou, trocar umas figurinhas com os amigos, tentar imitar filmes e buscar teorias. Quem sabe um nerd leia até um livro sobre como conquistar garotas. O ponto alto é conseguir bebida ilegalmente para a primeira vez.

Na pública, a bebida pode ser conseguida em casa mesmo (desde que o pai alcoólatra não descubra), ou no bairro – nenhum dos bigodudos (suados e sempre de camisetas regatas, mostrando os pelos do peito) atrás dos balcões vai negar uma 51 ou um San Tomé para a molecada. Na pública, o que vale é a prática, e você ganha know how absurdo em como tratar corrimento, cancro mole (ou duro) e candidíase. E, caso não pegue Sida (Aids, para os “estadounidensizados”) ou hepatite B, está no lucro e tende a se tornar uma mãe solteira respeitável. Os meninos tendem a ser ótimos rapazes que serão soltos por boa conduta após pagamento da pensão determinada pelo juiz.

Se tudo der certo, nas duas situações, vão chegar ao casamento e cada um terá um método. As meninas o sonho, os rapazes, o desespero. Se a família for abastada, ele diz que devem esperar que certas questões políticas se resolvam, ou que a briga com o irmão pela fazenda deixada de herança pelo pai (que fez o testamento quando estava meio podre) se resolva. Se for pobre, o rapaz diz que deve esperar a situação estabilizar ou, pelo menos, sair a grana daquele processo contra a empresa.

Em ambos os casos fica a experiência adquirida na adolescência.

No futuro, já velhas, as meninas da escola privada vão dizer que desperdiçaram a vida dedicando-as a seus homens e que hoje não sobra tempo “pra nada” depois de levar as crianças na natação, inglês e ir para a análise. As meninas da escola pública (hoje mulheres com bigodes respeitáveis) vão comprar calcinhas de fetiches desenvolvidos para impressionar seus maridos e, incrivelmente será a mesma calcinha usada pelas colegas da escola privada, achada num canto empoeirado dum brechó.

 

*Imagem tirada de: http://teologiaeinclusao.blogspot.com

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