Post originalmente publicado em 07/12/2007 no pensologoeescrevo.blogspot.com

morte Lidar com a morte não é algo fácil. Sei disso porque já assisti a muitos filmes, porque li alguns livros a respeito, e porque estou vivo e, inevitavelmente, não consigo me imaginar morto. Vejo, sim, que posso morrer velho ou novo, agora ou depois, mas não sinto que vou morrer. É a diferença entre o saber e o acreditar.

No filme os 300 de Esparta, por exemplo, eles sabiam que morreriam e mais: com glória, porque morriam por sua pátria, mas nada me tira a impressão de que, quando chegou o momento de levar milhares de flechas no peito e virar uma aljava ambulante, Leônidas ficou um tanto decepcionado por saber que também era capaz de morrer. Pelo menos ele teve um aviso.

No filme Mandando Bala, com Clive Owen, acontece algo semelhante, um contraste entre vida e morte quando, ao acabar de dar à luz um bebê, no meio de um tiroteio, a mãe acaba falecendo. O filme não tem nenhuma característica muito subjetiva nesse ponto, nem dá tempo para que ela relembre sua vida, como fez Leônidas, e me fica a dúvida se ela já estava com algum pressentimento a respeito (se bem que fugir grávida enquanto tentam atirar em você pode ser uma boa dica).

E ficamos sem nunca saber o momento exato, se teremos uma prévia, alguma experiência metafísica que nos mostre uma última atitude louvável… nada.

Pelo menos foi isso que percebi quando carreguei em meus braços o corpo de um vizinho com mais de 70 anos. O único aviso que teve foi um tombo e um grito surdo antes da parada cardíaca.

Ele não estava grávido (e nem poderia), ninguém estava tentando atirar nele, e também não estava enfrentando um exército de um milhão de persas, mas mesmo assim se foi, com olhos abertos, como para vigiar se a morte se aproximava…

Ela veio, novamente, sorrateira.

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