cena do filme Cartas para Julieta - o Jantar referido

Uma das melhores frases do cinema ultimamente veio de um filme que eu realmente não esperava. Cartas para Julieta. Esse filme me impressionou. Não sei se porque me pegou num dia mais sensível ou simplesmente porque é bonito, e bonito de uma maneira simples.

Como diversos filmes do gênero, você já sabe, só pelo título e pelo cartaz, o final do filme, mas isso não tira o mérito de uma produção com belos visuais, locais românticos e um clima de mini-aventura-romântica-que-todo-mundo-quer-ter-mas-ninguém-admite. Enfim, belo, belíssimo. Além de uma ótima trilha sonora que mescla músicas italianas antigas, outras de mesma época porém com novas mixagens e algumas totalmente atuais mas que fazem jus ao local que ocuparam.

A frase, no entanto, apareceu de maneira divertida, sem querer. Só pra situar, eles estão na Itália e existe um grupo de mulheres que responde as tais cartas que são destinadas para Julieta (aquela mesma do Romeu), elas se chamam secretárias de Julieta. A Sophia (Amanda Seyfried) estava viajando com o noivo por ali, encontra as mulheres por acaso, se envolve, escreve uma carta… enfim, vá assistir ao filme.

Mas lembrem disso quando assistirem.

Em um jantar antes do início da “jornada” (onde a velha Claire buscará seu Lorenzo, de 50 anos atrás), estão todas as secretárias de Julieta, Claire (a velha romântica e ligeira), Sophia e Charlie (Christopher Egan) reunidos em volta duma mesa e começam a falar do amor verdadeiro. Charlie (neto de Claire – a simpática senhora que envereda por uma empreitada de amor) acha uma bobagem tudo isso e contesta as vontades de sua avó, pois tem medo de que esta se decepcione.

Charlie é inglês, assim como sua avó. Sophia é estado-unidense e as secretárias de Julieta são todas italianas.

Em determinado momento, uma das senhoras que se denominam secretárias de Julieta replica a Charlie dizendo que toda essa busca é pelo amor e ele contesta dizendo que isso é uma bobagem na qual as pessoas acreditam para explicar hormônios e etc. E a senhora responde:

– Isso é porque você é britânico e, como todos os ingleses, é frio e não entende nada de amor – ao que Charlie coloca.

– A senhora poderia me dizer, então, quem é que escreveu Romeu e Julieta?

– Claro – disse a senhora –, foi William Shakespeare, um grande italiano…

Pode parecer uma piada tola, mas quem vive numa família italiana, como é o meu caso, faz todo sentido e é muito engraçada.

Ocorre que os italianos são sentimentais, dramáticos, românticos não só no amor, mas também em seus pensamentos e estilo de vida, criando heróis e vilões.

Acima disso, porém, existe a incrível capacidade que esse povo tem de arrecadar para si grandes personalidades enquanto despreza seus vilões.

Assim, é comum se ouvir que Chaplin teria sangue italiano, Eistein gostava de macarronada, e que todos os grandes mestres tiveram, mesmo que distantes, sua origem ali, até mesmo políticos como Mandela, Churchill, quem sabe até Ghandi…

Pensando bem, não. Talvez ele não, Ghandi não poderia, já que os italianos consideram um absurdo recusar comida.

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