Ele a viu de longe, sentada numa daquelas cadeiras brancas e impessoais duma sala um tanto fria. Quis se aproximar mas teve receio. Depois de tudo, não saberia como ela reagiria. Mesmo assim caminhou até ela.

Parou e se encostou na mesa ficando de frente para ela. Disse oi e ela respondeu, também num tom tímido, os dois estavam constrangidos.
A sensação era mais pela amizade, praticamente arruinada por uma besteira, que pela noite terrível em si.

Não sabiam o que dizer um para o outro, os olhares estavam fugidios. A sensação de frieza da sala parecia tomá-los pela mão. Entretanto, só aquela tentativa de conversa já indicava que um pouco daquele carinho sobrevivera.

Aguardam ainda hoje que o tempo apague certas cicatrizes tão profundas…
Enquanto isso, ficam nostalgicos lembrando da voz, olhar, cuidado e todos momentos juntos.

A vida é uma saudade constante…

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