Tava de bobeira no meu e-mail esperando uma mensagem importante e atentei para uma notícia interessante num daqueles links que nos abordam de repente, como os antigos caiçaras costumavam fazer nos arrastões das praias. Digo isso não porque eles pararam de fazer arrastões, já que ontem mesmo, segundo a CBN, um arrastão um pouco diferente, lá no Rio de Janeiro deixou algumas pessoas feridas quando um capitão reformado (com muita tinta e cimento) resolveu reagir aos bandidos. Digo ‘costumavam’ porque faz muito tempo que não vou à praia e digo isso com um certo pesar porque não me causa pesar nenhum o fato de eu não ter ido até lá. Que seja!

Mas… voltando, a notícia era a seguinte: Padres de Igrejas na Espanha proíbem o uso do celular. O melhor é que na entrada das igrejas anexou-se uma placa dizendo algo como: se Deus vai falar com você, pode ter certeza de quer não será pelo celular.

Achei interessante a ideia por si só de proibir os celulares dentro da ‘casa divina’. Num primeiro momento, ao ler a notícia, pensei ser uma reação estratégica contra a possível aquisição de provas contra padres pedófilos ou sermões entediantes que, diga-se de passagem, são muito piores que a pedofilia em si.

Depois, vendo a notícia inteira, vi que era pelo problema do aparelho tocar durante a missa, atrapalhando o culto. E não só isso, o pessoal, não contente em deixar o celular ligado e com o som no último volume, ainda tinha músicas sexualizadas que não são adequadas ao local.

Isso tudo é um pouco confuso. Quer dizer, tudo bem que deve-se respeitar o culto do local, afinal, se não quiser seguir as regras não se deve nem aparecer por ali (a menos que você esteja interessado em alguma garota da igreja, o que é extremamente possível e aceitável), mas proibir de todo o celular é um absurdo. Refiro-me ao caso de pessoas mais cuidadosas que podem colocar o aparelho apenas para vibrar e atender fora do recinto, por que esses devem ser prejudicados pelos outros, afinal, Deus não iria salvar Sodoma e Gomorra se achassem um número suficiente de justos ali?

A solução, talvez, fosse pegar o número de todos que frequentam o local assiduamente a fim de fazer uma pesquisa e ver quem é que está deixando o celular no volume máximo para atrapalhar o belo momento da arrecadação do dízimo.

Talvez o próprio padre pudesse enviar um sms generalizado para a lista de números e descobrir os ‘infratores’, mas isso implicaria no próprio padre usar o celular e, como ele faz parte como um todo da instituição Igreja, provavelmente ele seria condenado também.

Talvez a solução mesmo seja deixar o assunto por isso mesmo. Apesar de ser a Espanha e não o Brasil, aposto que as punições não serão muito severas e a fiscalização não será tão intensa. Podem te excomungar por uma ligação na hora da missa, mas ninguém vai te ‘crucificar’ por isso.

Eu mesmo não posso ir à Espanha, meu celular sempre está sem saldo e, de uns meses pra cá, passei a levá-lo para igreja, mais como acompanhante que como aparelho eletrônico. Na verdade eu esperava algum tipo de inspiração ou milagre para que eu ganhasse alguns créditos de repente. Dizem que Deus é capaz de tudo mesmo…

Aparentemente ele usa uma operadora diferente da minha.

Semana passada resolvi colocar uns trocados de crédito na minha linha porque queria chamar uma menina que vi para sair. Sabe como é, domingo a noite, sem muita coisa pra fazer, é sempre bom ter uma companhia. Peguei o celular e disquei, depois de uns três toques ela atendeu e eu já ia começar a falar todo animado quando a escutei dizer com uma voz sorrateira:

– Não dá pra falar agora. Eu tô na igreja!

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