Mas…

Um pouco de tudo – muito de nada

Stranger Things – O tecido da realidade é frágil

Posted by RDS em agosto 19, 2016

CUIDADO – eu acho que não, mas pode ter spoilers

IMG-20160819-WA0007Ontem de madrugada tive, finalmente, coragem (depois de adiar por quase duas semanas) de assistir ao “último” capítulo de Stranger Things. A conclusão é uma só: que coisa maravilhosa!

“Ah sr. autor, que argumento fraco, todo mundo diz isso e, de mais a mais, é apenas um seriado de ficção científica com um monstrinho bobo”. Não, não é!

Começando pelo sentimento nostálgico dos anos 80, mas não se limitando a isso, o seriado é original usando tudo o que já vimos por aí, mas combinando de uma maneira cativante os elementos. Mundos alternativos não faltaram em histórias, no entanto, essa pegada floresta-com-Silent Hill ficou bem elaborado. E olhe que nem estou tratando aqui da ótima referência aos RPGs.

Testes de LSD que desencadeiam poderes psíquicos também nos fazem refletir como, muitas vezes, mexemos com coisas que não entendemos e seguimos sem entendê-las, e continuamos mexendo. A combinação de explicações científicas simplificadas de um professor para seus alunos crianças é uma forma interessante de ensinar ao público o argumento da série sem se perder num vídeo que precisaria de um documentário acompanhando.

Para não me alongar e dar mais spoilers do que eu já devo ter oferecido até aqui, simplifico dizendo que a série vale pela amizade entre as crianças, que estão criando seus mais fortes laços e bases para entender a fidelidade entre as pessoas; vale pela forma como apresenta a empolgação infantil e sua criatividade em misturar a realidade interna e externa, significando ambas e criando o próprio mundo, em especial no ato de nomear locais e “seres” que ali aparecem.

A produção vale pela maneira como apresenta alguns conflitos adolescentes nos triângulos amorosos, hormônios em fúria e constrangimento; vale pela profundidade de um xerife machucado por uma história triste, porém que o deixa obstinado pelo que faz; conquista pelos laços de uma mãe desesperada que beira a loucura; e também pela coragem que cada um deles demonstra dentro de seu próprio universo, o infantil, o adolescente e o adulto.

O final… bem, não direi, mas fica muito claro apenas uma constatação: o tecido da realidade é frágil demais!

 

PS: A imagem eu recebi em algum grupo de chat e achei muito boa, me perdoem aqueles que não receberam os créditos por ela, se alguém souber, só me avisar que incluo.

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Rode, ria, viva

Posted by RDS em agosto 19, 2016

IMG_20150312_153559559Acho que a vida começou a ficar difícil quando eu parei de rodar. É, sabe quando você é criança e vai para o quintal e, sem precisar de nenhum motivo, começa a rodar? Isso.

E não basta dar umas voltas, você precisa perder um pouco a noção e deixar seu labirinto louco.

Depois de adultos, nós tentamos diversas táticas para continuar rodando. Beber é uma das principais, mas eu posso jurar que nenhuma é tão eficiente quanto liberar seu corpo um pouco sem se importar com a roupa, maquiagem, cabelo ou cara. Apenas girar!

Quando a vida ficar difícil, mesmo sendo adulto, vá para o quintal, garagem, lavanderia ou qualquer outro local com espaço e rode, gire muito, até perder a noção de espaço, sentido ou direção. E, quando não aguentar mais, vá diminuindo o ritmo e pare, cambaleie para perto de uma parede, encoste suas costas e “escorra” por ela até sentar no chão, rindo de si mesmo enquanto é o mundo que gira.

Isso salva a vida!

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Meu véio

Posted by RDS em agosto 15, 2016

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Na dança contínua da vida
Bailamos trôpegos e errantes
Quando jovens, na lida.
E à frente, entre decisões e amantes

Na infância, custamos a admitir
E nos esquivamos de seus conselhos
Para depois voltar e concluir
Que os queremos como espelhos

Passamos tempo demais
Tentando encontrar outros heróis
E basta olhar para nossos pais
E saber que sempre estiveram junto a nós

Daí crescemos e fingimos maturidade
Como se soubéssemos o que fazer
E mesmo nessa meia idade
A vontade é deixá-los a tudo responder

Mesmo entendendo que são como a gente,
Que arriscam, erram e apostam cegamente
Com eles ao lado é "Bola pra frente"
Segue o jogo da vida, não perturbe sua mente

Porto seguro pelo nosso sentir
Abraço carinhoso nas idas e vindas
Papo gostoso que queremos ouvir,
Com uma breja, no fim de uma tarde linda

E esse texto é um disfarce
De quem só queria dizer obrigado,
Perto, Longe ou face a face,
Por tudo na vida, em tê-lo a meu lado

Podemos mostrar marra
Mas o amor é maior que o lamento
Bora segurar a barra
E lembrar dos bons e maus momentos

Pois contigo dá para enfrentar
Você ensinou direito
Fecha a cara, espreme o olhar
Porque pra tudo na vida dá-se um jeito

Adversidade é moleza
Ninguém é bravo pra nós o bastante
Ganhe no sorriso ou na firmeza
E no peito um só é importante…

É quem levanta quando cai
Sorri quando era "ai"
Entra quando era "sai"
E era menino, mas virou pai!

Pois mesmo que vamos longe e mais além
Há algo que não muda nessa dança
Aquele cara perto de quem
Sempre nos sentiremos criança

Valeu, véio!

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Somos árvores

Posted by RDS em agosto 5, 2016

árvoresHoje, no trajeto para o trabalho, olhei para algumas árvores que estavam pelo caminho e vi o como as pessoas são parecidas com elas. A comparação é bem simples, na verdade. Sei que, assim como as árvores, existem pessoas de diversos tipos, com diferentes habilidades, belezas e coisas a oferecer ao mundo. No entanto, nada disso pode ser visto quando o olhar generaliza.

A verdade é que, assim como as árvores, para enxergarmos os detalhes e belezas escondidas nas pessoas, é preciso que as coloquemos contra um fundo neutro, um pouco no contexto em que existem e um pouco fora dele, pois é assim que conseguimos diferenciá-las das outras que, se não as ofuscam, fazem com que pareçam todas iguais.

Pois seja você também uma árvore, embelezando a vida das pessoas e trazendo um suspiro de ar fresco, pelo menos quando tiver sua silhueta projetada contra um céu azul que te emoldure!

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Continuando a celebração

Posted by RDS em agosto 1, 2016

Estava pensando em uma forma de resumir a festa do improviso que rolou no níver da Dedê e achei que congregar algumas imagens aqui facilitaria para não dispersar.

Muita alegria, diversão e amor por todas essas pessoas!

Obrigado!

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Frescura e frescor

Posted by RDS em julho 31, 2016

DSC_7995_desaturada_pqEla é fresca! Em vários sentidos. É o tipo de pessoa que usa uma sacolinha plástica como luva para descascar uma mexerica porque “vai deixar o cheiro na mão para sempre”. Ela carrega álcool em gel, lenços umedecidos e até agulhas e linhas na bolsa “para emergências”. Claro, vai que ter um alfaiate na bolsa é questão de vida ou morte, todo mundo sabe que isso é essencial!

Ela tem “validade” de horário. Depois da meia-noite, numa sexta-feira, após um dia agitado e corrido no trabalho, o “amor acaba”. Ela te olha nos olhos profundamente e lança “vai dormir aqui ou quer que eu abra a porta para você? Porque eu estou indo dormir”. Mas sempre muito compreensiva, pois, se a conversa estiver boa e o sono bater, ela resiste bravamente por incríveis 29 segundos antes de lançar “amor, leva minha chave. Boa noite!”.

Aliás, o “boa noite” é questão de carinho. Ela liga no meio da noite só para te desejar uma “boa noite”. Você já está dormindo, mas desperta para receber este amor em forma de palavras, e então ela lança “como foi o seu dia?”. Você está cansado, mas resolve dar um resumo dos fatos porque sabe o quanto ela se importa com você. E, assim que termina de falar, percebe que a linha está muda e que ela adormeceu enquanto te ouvia…

Ela que liga, ela que pergunta e ela adormece te ouvindo: única.

Ela é a pessoa que não tem TPM, mas que tira um dia no mês para reclamar de tudo e ser do contra, e depois volta a ser doce. Ela não acorda mal-humorada, abre os olhos sempre com um sorriso acompanhando, e depois fecha os olhos novamente por mais 15 minutos, repetindo o procedimento 29 vezes antes de levantar efetivamente.

Ela levou o Pedro Bial a sério demais e usa filtro solar todos os dias, mesmo quando está chovendo, mesmo quando não vai sair de casa, mesmo estando em um porão sem luz com mais 29 imigrantes refugiados do Cazaquistão.

Ela sabe beber. Não toma cerveja, chopp, vodca, uísque ou conhaque. Uma tequila basta para entrar em um carrossel e vinho só se for doce para dar cárie e aquecer o nariz. Ela é generosa, não guarda seu calor corpóreo para si. O pé sempre da temperatura de um iogurte fresco e as mãos como dois picolés de leite condensado no gelo seco. E ela os aquece em você, dando aquela sensação incrível, como um chuveiro que desliga no meio de um banho quente.

Ela é valente, filme de terror é Harry Potter e comédia romântica tem de ser mais romântica que comédia.

Ela aborda pessoas na rua para avisar que o “cofrinho” está aparecendo, dorme no ônibus e vai tão longe que acorda numa dimensão paralela; se localiza nas ruas melhor que um morcego em um show de rock; identifica filmes e atores como “aquele loirinho com a moreninha e eles se beijam no final”, e se irrita se você não lembra pelas referências tão claras; não controla a gargalhada quando o garçom dá “tela azul” e não entende o pedido; tenta ter uma longa conversa com um atendente que apenas sorri, até descobrir, minutos depois, que ele é surdo-mudo.

Faz manha, gosta de pantufas, gargalha como se não houvesse amanhã, coloca 29 cobertores na cama se viu uma folha balançar com a brisa. Se ela sente frio, ela te cobre, ela sempre está com frio, ela sempre te cobre, pelo menos até adormecer, quando retirará todos os seus cobertores, fará um casulo e te deixará despertar de lábios roxos de frio.

Ela adora vento, desde que ele esteja sempre do lado de fora e ela selada do lado de dentro. Curte batata, frita, assada, recheada, em purê ou todas juntas e concomitantemente. Ela não pede refri, mas toma do seu, rouba 10% de qualquer alimento, abaixa a música que você estava escutando no carro e não sabe reagir a sons e danças estranhas.

Você dá bombom, ela não gosta de bombom; dá chocolate branco, ela não gosta de chocolate branco. Faz macarrão, ela prefere arroz. Compra coca, ela quer água. “Quer pipoca?”, “Não quero, obrigado”, mas dois segundos antes do filme começar ela quer a pipoca…

Olhando essa lista, as coisas parecem difíceis, mas não são. Na verdade são totalmente ao contrário. Se esses são “defeitos” e me fazem rir e me divertem, tanto mais as qualidades, quando ela sorri e o mundo se resume naquele olhar brilhante, quando tudo o que importa cabe em um abraço e o beijo demonstra todo o amor que existe no mundo.

Porque eu sei que você é muito mais do que eu mereço, mas recebo de bom grado e braços abertos o maior presente da vida, sua companhia e seu amor!

Porque cada momento deve ser vivido intensamente e como algo único, assim como a celebração de mais um aniversário da minha hortelã, que pode até ser “fresca de frescura”, mas que traz frescor e alegria para cada dia da minha existência. Que seus “defeitos” só aumentem para eu ter motivos para me apaixonar ainda mais!

Feliz aniversário, minha musa!

Foto de Adam Tavares

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Heróis, Smurfs e reencontros…

Posted by RDS em julho 19, 2016

 

Esse final de semana eu fiz algumas coisas que adoro. Passei um tempo com minha escolhida e minha pequena, fui a lojas de brinquedos, a uma festa com o melhor tema do mundo (heróis) e a um reencontro com amigos.

Como era de se esperar, me diverti bastante (e estou muito cansado). Nas duas festas às quais compareci, no entanto, um tema reapareceu: reencontro com o passado. Numa delas bem obviamente, pois era mesmo um reencontro e, na outra, uma fortuita sorte de poder relembrar do passado com pessoas com as quais tenho amigos em comum!

Quem me conhece sabe o quanto gosto do passado, não para ser melancólico (ta vendo, Neto, tô me explicando), mas para ver quais são minhas bases e as diversas formas como encaro a vida, e mais: os motivos enormes pelos quais tenho de encarar qualquer coisa que apareça, devo isso. A mim e às pessoas tão queridas de minha vida.

Claro que, como todo reencontro, muitas pessoas faltaram e não puderam estar presentes, inclusive alguns dos meus maiores e melhores amigos e amigas, aqueles com os quais mais convivi e ainda convivo (ainda, bem, valeu, Deus!), mas tudo isso traz aquele suspiro de passado ao peito.

E, como sou eu, tudo aquilo que mexe comigo reaparece de alguma forma em minhas linhas. Fica aqui esta pequena homenagem onde aproveito para parafrasear um de meus antigos personagens (de 2006) do Memórias de um Universitário:

Esses fatos fazem voltar à tona tudo que passei durante muito tempo e percebi que tudo que de melhor poderia me acontecer, aconteceu.

Minha escola foi o local em que fui a melhor e a pior pessoa do mundo ao mesmo tempo. O local em que me dediquei tanto e tanto, e mesmo assim fui o maior vagabundo.

Foi ali que construí as melhores e inesquecíveis amizades. Onde tive minhas grandes paixões que nunca se concretizaram e outras que se realizaram de maneiras mais surpreendentes do que eu poderia ter imaginado. Tive minha vulgaridade inspirada e me mantive santo, um anjo imaculado. Fui o pior que pude e o melhor que consegui.

Tive obrigações e desejos. Às vezes eu podia, mas não devia e, às vezes queria, mas não podia ter e talvez nem ser…

Como todas as pessoas, eu me esforçava e não dava a mínima pra nada, aprendi tanto que nem acredito e desenvolvi técnicas que nem em mil anos saberão. No entanto, fui tão infantil quanto um tolo qualquer. Brincava com o que sabia e só aprendia realmente quando tentava ensinar aos outros. Criei normas, fui um chefe e ao mesmo tempo segui o bando como os outros. Um líder jamais visto e um escravo de minhas próprias emoções.

Eu amei e fui amado, talvez não da maneira que quis, mas da que me ofereceram. Fui o melhor jogador, artilheiro, zagueiro, goleiro e etc. (e como eu era ruim de bola!). E fui um vencedor sem nem sequer dar um passe.

Corri como nunca, meus medos crescentes me disseram para fugir, mas resisti bravamente, encontrando dentro da minha cabeça ou no apoio dos que me cercavam a fuga de que precisava e, muitas vezes, um sofrimento incontido. Tive que lutar contra os outros, contra mim mesmo, fui um inimigo público e um amigo inesquecível.

Fiz toda a diferença sem nem mesmo me fazer notar ou ter importância. Gostei das pessoas e me decepcionei, mas também desapontei várias, mesmo nunca tendo falhado. E, na verdade, não acertei uma!

Eu ri como um louco, chorei como um desesperado, corri como um atleta e não me movi. Minha mente grita em silêncio com a lembrança das coisas que não voltam…

Acredito que isso que digo vale para cada um ali. Todos têm seu papel principal em minha vida. Cada um sabe o que fez, foi e é pra mim.

Vocês são meus heróis, minha criatividade, meus amores, meus anjos (algum pelo qual até me apaixonei, não é?), são a realidade, a inocência, a verdade, a mágica da vida, meus companheiros inseparáveis, minhas motivações, as razões pelas quais eu sigo em frente, a razão das minhas lágrimas e, indubitavelmente, de meu riso que, se algum dia foi bonito ou contagioso, só devo a vocês. Falo aqui de meus velhos e novos amigos, e parece que conheço todos há séculos.

Não importa de onde você começa, nem onde quer chegar, o importante é o que faz pelo caminho. Tenha pelo menos a certeza de que foram puros com vocês mesmos e com seus princípios mais límpidos: os infantis.

Sigam seus corações. A vida lá fora não é fácil, nem um pouco. Mas quem disse que nós desistimos ao primeiro desafio? Vencemos um, dois, doze anos. Que venham, estaremos aqui esperando…

E sempre com um sorriso no rosto, um copo na mão, o samba no pé, a carne na brasa, uma gargalhada no ar, os olhos faiscando de carinho e um abraço forte com quem chegar. Esses são os velhos e bons heróis do Jacomo (que nunca consegui ter certeza se deveria acentuar ou não), um pouco de loucos e muito de Smurfs, sempre! Obrigado!!!

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As velas do meio do ano – 1

Posted by RDS em julho 11, 2016

As coisas mudamO meio do ano é um período interessante demais para mim. Não sou uma pessoa mística (mentira, sou sim!), mas do final de junho até o final de julho muita coisa acontece, como se o meio do ano marcasse um momento de transição e de balanço para refletir.

Recentemente meus pais comemoraram mais um aniversário. Na verdade, “um” aniversário é errado, eles comemoraram três aniversários, no mínimo. Eles nasceram em anos diferentes, porém no mesmo dia e, não bastasse essa coincidência, aproveitaram e marcaram o casamento para a mesma data.

Meus pais estão na casa dos 60 (desculpa, mãe!), um deles entrando e o outro quase saindo dali. E celebraram 35 anos de casados, sem incluir os dias de namoro. Usei a palavra “dias”, mas queria dizer anos: nove, para ser mais exato. Ou seja, estão juntos por volta de 44 anos.

Eu não sei se vou viver por esse período, mas eles conseguiram, e eu queria dar os parabéns a eles aqui (parabéns, meus velhos amados!). Provavelmente nem lerão este texto, seja porque não são muito afeitos à tecnologia ou porque eu não vou dizer que o escrevi (olha o recalque), mas devo registrar esta data.

Não rolou festa (a crise não deixa rs), mas rolou bolo, abraço e uns “eu te amo” aqui e ali. Eles não estão muito na fase do romantismo ultimamente, mas são persistentes e resilientes (porra, são 44 anos), ou insistentes e me ensinaram muito com isso.

Provaram-me que o amor existe e que a pessoa certa também, mas tiraram todo o idealismo da coisa. Não me decepcionaram, mas avisaram (mesmo sem dizer uma palavra diretamente) que o amor passa por fases, que a paixão, o ardor e o tesão vêm e vão e que (bomba polêmica!) não há nada de errado nisso.

Eles já acordaram muitas vezes desapaixonados, de saco cheio, presos a uma rotina cansativa (quem está livre disso a qualquer momento?), mas não se largaram, batalharam pra ficar juntos. Lutaram e lutam dia a dia para se entenderem, para fazer dar certo, pra criar os filhos, para poderem ter quem xingar todos os dias entre si, com os filhos por perto, para poder xingá-los também (quase a base da dieta familiar rs).

Sim, somos barulhentos, falastrões, comilões, engraçados e apaixonados por pessoas, mesmo as chatas, a quem queremos por perto nem que seja para reclamar delas!

Eles me ensinaram a ser normal (conceito beeeeeeem discutível), portanto, pois sabendo lidar com os diferentes humores do parceiro (ou confrontá-los às vezes), também lidamos com os nossos. Vemos erros alheios e os nossos próprios também, e sabemos que não há perfeição. Só existe perfeição na imperfeição de se saber imperfeito e lidar com isso.

Foi assim que meus pais me ensinaram a ser responsável, um pouco por mim e um pouco pelos outros; ensinaram a amar, a mim mesmo e aos outros, e todo mundo com defeito; me mostraram que não é legal pisar na bola e magoar alguém, mas que pode acontecer e, em geral, ninguém morre por isso, pois o outro dia vem para resolver a questão e, se não vier, tome um belo porre enquanto espera mais um pouco.

Acima de tudo, me ensinaram a acreditar em um monte de coisas, Deus, meus sonhos, amor, romantismo, realismo, jogo do bicho, horóscopo, paixão. E me mostraram que um monte de coisas pode ser bobagem: Deus, meus sonhos, romantismo, horóscopo, paixão, realismo, etc. (mas acreditam no jogo do bicho hehehe).

O que quiseram me botar na cuca é que sou eu quem faz a minha vida, afinal. Que o que acredito, sinto e vejo moldam minha realidade, mas meu atuar e percepções subjetivas refletem sobre tudo também (eles nunca usariam essa frase e me chamariam de metido idiota se eu a dissesse).

Enfim, me ensinaram que pais podem errar, e que também podem levantar depois de cair. Ensinaram-me a ser responsável e relaxar de vez em quando, porque algumas loucuras da vida são deliciosas demais para serem descartadas por um senso de carregar o mundo nas costas. Me ensinaram a assumir cagadas, mesmo sabendo que eu iria apanhar por aquilo (“melhor falar, você vai apanhar de qualquer jeito mesmo!”).

O mais importante é que me mostraram como sorrir, amar as pessoas e como a não me levar muito a sério, mesmo que outras pessoas me levem. Para os meus pais, não importa se eu sou o presidente do mundo ou um mendigo: eu vou sempre saber menos que eles, ter de ficar quieto quando resolverem falar algo e eles não se impressionam com nada, mesmo se seu criar asas e voar. Minha mãe vai olhar e falar “legal, filho! Mas você me traz a toalha molhada quando sair do banho?”. Meu pai vai dizer “mas você nem voa tão rápido, tem um documentário sobre um avião que é bem melhor, fora que fica espalhando essas drogas dessas penas pela casa toda!”.

Eles mostram como a vida tem encanto e desencanto na mesma frase, sem vírgulas ou pontos, pois está tudo conectado! Eles me deram a vida, fizeram e estão fazendo o que dá nesse mundo, porque, no final, ninguém tem o manual dessa briga toda.

Enfim, se eu for ficar no solo ou alçar voo com asas um dia, tenho a certeza de que eles só vão dizer: “mas você vai jantar em casa na volta?”. E quando eu estivesse lá no alto, quase desaparecendo no horizonte, eu escutaria. “Pegou a blusa, filho?”.

 

Imagens do arquivo pessoal!

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O olhar e a fogueira

Posted by RDS em junho 14, 2016

Começo pedindo desculpas aos meus leitores, não tenho a intenção de dizer que um dia as coisas foram melhores, são apenas diferentes.

fogueiraEle era menino na época em que intimidade era beijar na boca e conseguir roçar na pele da menina, sem saber se havia conquistado aquele espaço ou se ela não tinha notado o toque (que tolice, claro que notavam! Elas sempre notam, e nos permitem – e como é deliciosa a permissão, você foi merecedor segundo as batidas do coração da garota, que honra!).

Estavam em junho, numa festa com as tradicionais barraquinhas e até mesmo uma fogueira improvisada na rua. Isso às vezes ainda acontecia nas ruas calmas da cidade.

Os amigos se separavam em grupos masculinos e femininos, tentando atualizar paqueras, pedir ajuda dos colegas, rir de coisas proibidas de um grupo para outro, trocar olhares a distância para, uma vez próximos, fingirem que nada havia ocorrido.

E foi ali, quando conversava com um amigo, que avistou a tal garota. Para os outros talvez fosse só mais uma, mas ela fez os olhos do garoto brilharem. Sabe quando estamos conversando com alguém num local barulhento e somos obrigados a nos chegar ao ouvido do interlocutor? Pois tanto ele quanto ela assim estavam, cada um conversando com seu respectivo colega. A posição não é a melhor para uma longa conversa, mas é boa para uma rápida confidência – e deixa nossos olhos livres para absorverem o ambiente.

Os olhares daqueles dois se encontraram e se absorveram.

No entanto, não era tão fácil e nem tão simples, a troca de olhares era apenas o começo, a primeira barreira a ser vencida.

Como eu disse, o beijo era ato íntimo e era o alvo de uma noite adolescente. Não há hipocrisia, claro que os corpos ardiam por mais, tal qual a fogueira na rua fria, mas controlar os tremores e microexplosões de nossos desejos era também uma prova de respeito para com o outro e consigo mesmo.

“Era a forma que tínhamos de nos diferenciar dos animais, de não transar em um canto da rua antes de conhecer mais a fundo a pessoa”, alguns podem dizer. No entanto, prefiro ressaltar que era a melhor forma de sorver pouco a pouco as delícias do toque leve; daquele medo de avançar que se misturava com a vitória de mais um pedaço conquistado, para os dois; de poder aproveitar cada pouco do “muito-tanto” que cada outro nos pode dar, oferecer, entregar. Não somos apenas varas e orifícios, afinal.

E entre olhares, pedindo para alguns amigos fazerem a ponte (e depois fingindo que de nada sabiam), aproximaram-se. A princípio disfarçando o nervoso, cantarolando uma música da qual nem gostavam, talvez. Tudo vale para aliviar as acelerações do peito.

Eles acharam um canto mais calmo e foram conversar. O frio foi um pretexto para se aproximarem. Muito papo rolou ainda e a noite avançou bastante antes do ápice. Dividiram uma maria-mole e uma Coca, ainda não bebiam vinho quente, era impensável!

E com aquela roupa xadrez, a dele com tons de azul e a dela de vermelho (meu Deus, como ela é linda com seus cabelos escuros contrastando com o vermelho da sua roupa, e com essa calça jeans, eu nunca a tinha visto de jeans, como os cabelos dela brilham! Só perdem para seus olhos…), resolveram, pouco a pouco, deixando algumas palavras morrerem no canto dos lábios, que o silêncio os envolvesse, elevasse a tensão, a expectativa.

Ele fitou aqueles olhos brilhantes, aquele cheiro de pele jovem o invadiu, ele também o era. Sua visão se concentrou naqueles lábios rosados, sem batom, pois ele já tinha sumido, deixando algum grão de açúcar da maria-mole no lugar, quase imperceptível, mas aqueles lábios eram sua única visão, como uma lua cheia crescendo nas pupilas. Embriagante.

Quem sabe por isso as coisas eram diferentes, permitia-se que a tensão alcançasse tal ponto que as próprias emoções embriagavam. A luta entre a fogueira no peito de saciar desejos e o respeito que aqueles olhos impunham ao mesmo tempo em que atraiam. Ah, que sensualidade há no controle de si. De se permitir sonhar com “algo a mais” por mais uma noite antes de chegar às vias de fato.

Estavam cuidadosos no lidar um com o outro, como se não fossem da cidade apressada, como se as poucas árvores ao redor fossem muitas e houvesse um sertão de calmaria os envolvendo. Não apagando o que sentiam, mas trazendo consigo o sentimento de que havia um amanhã e que, viver o presente intensamente não significava fazer tudo como se amanhã se fosse morrer, mas sim reconhecer no dia seguinte uma continuidade, mais uma pedra da construção que se começava no hoje. Era como plantar uma semente, sentimento caipira de quem sente o que já não se sente.

Assim mesmo, com um amor urbano se fingindo de caipira, sem nenhuma conotação pejorativa a nenhum dos dois, sob um céu limpo e ainda estrelado, com brisa gelada que incentivava ao abraço daqueles dois corpos adolescentes cheios de tremores e vontades. Beijaram-se, como seus olhos já haviam se beijado antes  mesmo de conversarem

Antes que a noite acabasse ele quis dar um urso para ela, mas não deu certo. Terminaram a noite sorrindo, jogando as cartas do mico. Ele era péssimo na pescaria!

Imagem daqui

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Uma quarta qualquer

Posted by RDS em fevereiro 17, 2016

A tarde está quente no escritório. O barulho dos dedos nos teclados dos computadores são embalados ao som de uma leve música de fundo, provavelmente Red Hot Chili Peppers.

O telefone toca, o rapaz atende e escuta, ninguém diz nada, mas alguns sons estranhos são ouvidos ao fundo.

“Quem está falando?”, ele pergunta.

“Aqui é a Helena!”, responde uma voz feminina ao telefone.

“Em que posso te ajudar, Helena?”.

“Ninguém pode ajudar. Caiu! Troia caiu!”.

“Desculpe, Helena, acho que não entendi direito… Helena?”.

O resto é silêncio.

E o Spotfi seleciona Legião Urbana sozinho…

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