Mas…

Um pouco de tudo – muito de nada

Ode à bagunça

Posted by RDS em setembro 22, 2016

Duas mulheres sentadas em um sofá em um fim de noite após um encontro entre amigos.
A casa está desarrumada, copos espalhados. Entre elas há uma garrafa de vinho pela metade. Chegaram ao ponto em que não há timidez…

 – A verdade da vida, minha querida, é que os homens de verdade gostam de bagunçar e desarrumar as coisas.

– Não, homem de verdade gosta de transar bem, isso sim!

– Dá no mesmo…

– Como assim?

– Bem, eles veem uma casa arrumada e jogam roupas por todos os lados e espalham coisas. Veem um banheiro limpo e mijam na borda do vaso. Encontram a gente toda maquiada e arrumada e querem bagunçar nosso cabelo e tirar nosso batom todinho. Fora quando estamos com o corpo lindo e eles nos engravidam. Eles não querem o filho, só querem trepar forte e nos bagunçar. Chegam ao trabalho e desarrumam a mesa, eles são assim.

– Mas o que dizer dos homens que gostam da casa e mesa de trabalho arrumados, por exemplo?

– Estes não sabem trepar direito…

– Como você sabe?

– Se você termina a noite com o batom que começou e o cabelo no lugar, a transa nem aconteceu ou foi uma merda!

– Ainda bem que eles gostam de bagunça…

E as duas riram enquanto finalizavam mais uma taça de vinho.

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Coisas que não deveriam acontecer numa segunda

Posted by RDS em setembro 19, 2016

P9160007Coisas que não deveriam acontecer numa segunda-feira aconteceram hoje antes das 11h00 da manhã.

Você tem um final de semana ótimo e isso já deixa o dia de labuta meio sem cor em comparação aos anteriores, mas tem sol, calor, tudo o que você gosta, então bora!

Daí um amigo posta fotos de um ano incrível, que já faz uns oito anos, e um monte de lembranças invade a mente. Isso é delicioso, mas também nostálgico, pois, mesmo não sendo sua melhor época fisicamente (vamos combinar que o cavanhaque não combinava com o cabelo de algodão-doce), você gostava da liberdade e sensação de formar o mundo.

E então a playlist randômica rola um “Filtro solar”, com o Bial falando da vida e da importância que as coisas tem e a nostalgia alcança níveis absurdos.

Você já está relembrando coisas da vida, caminhos, momentos, etc… E então um amigo te chama e te rememora de que, por volta de 2003/2004, você e ele tinham um projeto de um livro de humor e que escreviam pequenos esquetes e textos de stand up. Projetos engraçadíssimos que se perderam em alguma esquina da vida quando decidiram pensar em vestibular e trabalho.

Aí a sensação que te invade é a de que perderam algum tipo de onda, pois, poucos anos depois, vários artistas começaram a se firmar na área com esse modelo de humor. E dá mó vontade de falar algo do tipo “ei, eu fazia isso antes…”. Mas você sabe que as escolhas foram suas, você realizou outras coisas no lugar daquelas e, vamos combinar, ninguém é dono de nada nessa vida. Ideias e momentos estão aí para serem aproveitados.

Obrigado segunda-feira! Obrigado por lembrar tudo que eu já fiz e o que ainda não fiz também. Mas valeu por simbolizar que muita coisa ainda pode rolar. O que vou estar lembrando daqui a 10 anos, afinal, se ainda estiver vivo?

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Uma quarta qualquer – Parte V

Posted by RDS em setembro 13, 2016

As coisas da vida

livrosO tratamento odontológico teve de seguir por mais algum tempo e a amizade deles seguiu pelo mesmo período. Sentiam-se muito à vontade entre si, inspiravam-se. Porém, quando o nome de Bianca M. já não era mais constante na agenda do doutor, foram diminuindo o contato que tinham pouco a pouco…

Pelos rumos que a vida toma sem sabermos exatamente para onde está indo, eles acabaram sem se ver por cerca de cinco anos.

Ela chegou a voltar ao consultório em algumas ocasiões dentro desse período para uma manutenção ou outra, mas não se encontraram mais, ele havia saído do consultório odontológico no qual era recepcionista e auxiliar. Ela sabia que ele seguira seu rumo, assim como ela havia feito.

Ele não carregava dores no peito a respeito dela. Entendia que ela tivera uma vida antes de se encontrarem, assim como ele mesmo tivera a sua, e que ambos seguiriam com suas histórias de vida um sem o outro.

O que carregava consigo, no entanto, era uma lembrança gostosa, tal qual uma cerveja refrescante num início de uma noite abafada. Era uma pena ela tê-lo esquecido. Ele sabia que ela o havia esquecido, deveria estar casada, com filhos, vivendo feliz. Era o que desejava a ela, mas suspirava quando vinha-lhe à mente a pergunta: será que ela se lembrava dele? Pensando nisso, chacoalhava a cabeça como que para espantar tais ideias.

Ele mesmo já estava noivo há um ano, após três de namoro. Estava feliz e planejando se mudar, em breve, para o interior e arriscar uma vida tranquila.

A vida muda. Relembrar não é para todos…

Ainda naquele dia foi ao shopping procurar um presente para seu sogro, que aniversariaria em breve. Sua noiva adentrou uma livraria e foi pesquisar a seção de esportes. Se fossem rápidos o bastante, talvez conseguissem ainda pegar uma sessão de cinema. Ao contrário do sogro, porém, ele sempre preferiu ficção e caminhou naquela direção.

Alguns minutos se passaram enquanto seus olhos estavam fixos no livro que tinha nas mãos. De repente, como se estivesse emergindo d’água, pôde escutar o chamado de sua noiva:

– Nando?

– Oi?

– Te chamei três vezes já! O que acha deste? – e mostrou um livro de um famoso atleta, perguntando se seu pai gostaria.

– Sim, acho que é a cara dele!

– Por que está com esse riso bobo? – perguntou ela, também sorrindo.

– Nada! – devolveu ele com os olhos brilhando – Apenas me lembrei duma coisa antiga.

– Que livro é esse? – e tentando ler a parte de trás do livro que ele trazia nas mãos balbuciou: “Você só tem esse momento para mudar o rumo dos próximos. Lembre-se disso…” – Deve ser autoajuda!

– Vamos? – disse ele, colocando o livro que tinha em mãos de volta na prateleira.

– Vamos – confirmou ela.

Na capa da obra que acabara de retornar à prateleira se podia ler: “Uma quarta qualquer… e outros contos” – de Bianca M.

Mesmo distantes, os dois sorriam pelos momentos únicos da vida que mudam nossos destinos!

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Uma quarta qualquer – Parte IV

Posted by RDS em setembro 13, 2016

Só temos o agora

ma%cc%83os-entrelac%cc%a7adasPerto da hora de buscá-la, ele mandou uma mensagem perguntando se estava tudo bem e confessou que estava um pouco nervoso. Ela disse que estava tudo ótimo e disse que estava tranquila, ele estremeceu ainda mais.

Ela estava linda quando ele chegou em frente ao prédio onde a buscaria. Ela entrou no carro:

– Boa noite, tudo bem, Bia?

– Na verdade, eu estou um pouco nervosa – replicou ela e ele entendeu que o “tranquila” de antes talvez tivesse sido só uma provocação.

– Eu gostaria de fazer uma coisa antes de sairmos.

– O quê, Nando? – questionou receosa.

– Quebrar o gelo!

E no mesmo momento ele se inclinou para ela, colocou sua mão em sua nuca, deslizando seus dedos pelos cabelos de Bia e aproximando suas faces. Ela travou a respiração por um segundo, mas não recuou. Ele colou seus lábios ao dela e a beijou com intensidade e prazer. Sua outra mão agarrou sua cintura e puxou os corpos para mais perto. Não foi o beijo mais longo do mundo, mas fez com que perdessem a noção do tempo por vários segundos.

Ao se descolarem, Nando ainda absorvendo o sabor daqueles lábios deliciosos que estiveram junto aos seus, passando a língua levemente em seus próprios para não perder nada do momento. Bia abriu os olhos, levantou as sobrancelhas e piscou respirando mais profundamente e só disse “uau”!

– Onde vamos, afinal? Este é o seu bairro, me guie – disse ele, emendando uma transição de momento.

– Podemos ir a um motel que conheço, mas poderíamos tomar algo antes.

– Vamos rumo a uma cerveja, então! – e ela sugeriu um local ao qual logo chegaram, não sem antes darem mais um ou dois beijos enquanto estavam nos semáforos.

Nando se mostrava muito à vontade, empolgado, mas não nervoso e isso impressionou Bianca. Eles conversaram sobre vários assuntos no bar, riram demais e ela se descontraiu mais do que esperava que conseguiria numa situação como aquela. Bianca estava envolvida naquele momento apenas, vivia o presente como poucas vezes havia conseguido, como se os segundos vividos agora, a cada instante, fossem os únicos que realmente possuímos. Em sua mente, Nando ficou assim definido: o homem que vive o agora.

– Como você consegue estar aqui? – perguntou ela.

– Como assim? – se espantou ele.

– Você está aqui! Você conversa, reflete, sorri, me toca… você está inteiramente aqui, achei que sua cabeça estaria em outro lugar, querendo partir para o próximo passo apenas, não sei… – as reflexões dela não estavam muito claras nem mesmo para si.

– Onde mais eu estaria? Eu só tenho o agora. Não quero viver uma vida inconsequente como se fosse morrer no próximo segundo, mas eu só tenho esse momento para mudar o rumo dos próximos. Lembre-se disso…

– Vocês aceitam mais uma rodada? – perguntou um garçom que passava por eles

– Ela é quem manda, daqui a pouco vamos sair – devolveu Fernando simpático.

– Mais uma apenas – e, virando-se para ele, completou – ainda dá tempo de desistir?

Ele riu e a beijou intensamente, deslizando a mão pela lateral do seu corpo até chegar às suas coxas, puxando-a para si. Aquela cerveja refrescante num início de noite abafada era mais deliciosa do que parecia.

– Você quer desistir? – questionou sorrindo.

Ela o olhou de maneira tão intensa que nem respondeu. Ele pagou a conta e foram embora, apertando os corpos entre si enquanto caminhavam, como que antecipando a ação, querendo fundir as carnes.

Bianca entrou no carro e ele, ainda de pé daquele lado da porta, se abaixou para beijá-la mais uma vez. Foi naquele instante que todas as dúvidas dela sumiram: ela o queria! E não pensou mais em seu noivo durante toda a noite.

Já no quarto, despiram-se e ele olhava com prazer e admiração aquele corpo cheiroso, de pele macia, os olhos brilhantes, ela um pouco tímida, com a lingerie toda preta e ele riu da cena.

Ela achou curioso o riso e questionou a respeito. Ele respondeu:

– Você sabe o que dizem, “se a calcinha de uma mulher está combinando com o sutiã, você não a conquistou, você foi escolhido!”.

Bianca riu da observação, mas viu a verdade da brincadeira, ela o queria mais e mais.

Beijaram-se por todos os locais, agarraram-se, apertaram um corpo contra o outro, admiraram os suspiros, os gemidos, os toques, dedos, línguas, pele, coxas, bocas, pescoços. Deram prazer, tiveram prazer, tinham cada vez mais prazer no prazer do outro. Amaram-se deitados, em pé, em todas as posições que encontraram e repetiram todas novamente.

Os tremores dos corpos pulsavam como uma mensagem que dizia quererem mais e mais.

O rádio ligado tocava diversas baladas, mas as batidas fortes dos corações e as respirações ofegantes sobrepunham-se a qualquer canção. Encaravam-se às vezes e quase não conseguiam sustentar os olhares por muito tempo, um fogo parecia queimar cada um deles quando sob o olhar do outro, quase como se o gozo fosse intenso demais para ser suportado. Uma pequena morte e renascimento a cada momento.

Caíram na cama exaustos e ela ainda admirava os tremores que percorriam o seu próprio corpo, pensando também nos do dele.

– Você sempre é tão intenso assim?

Ele sorriu e perguntou se ela desejava água. Ela disse que sim, mas não conseguiram encontrar a pequena geladeira que supostamente estaria no quarto. As paredes na cor vinho davam um tom de abafado ao quarto, o que combinava com o que sentiam.

Ele lembrou que havia água no carro e buscou para ela. Não havia muita, mas foi o suficiente. Pouco a pouco a canseira de um dia de trabalho, do esforço físico e da ansiedade baixou sobre ela. Após aquele momento intenso de amor, ela adormeceu.

Ele, depois de cobrir seu corpo nu com um lençol, deitou-se a seu lado e a acariciou levemente os cabelos e o rosto. Pouco tempo depois, quando ela despertou, ele ainda estava olhando-a e sorrindo. Ela fechou os olhos por mais alguns segundos, um pouco tímida de se perceber observada, mas com o coração reconfortado por um carinho tão acalentador e aquecido.

Fizeram amor mais duas vezes naquela mesma madrugada e, pouco antes de partirem e voltarem para a realidade, ele acompanhou uma música que rolava no rádio e cantou para ela.

Ela não desgrudou os olhos dele nem um segundo sequer. Havia na cena uma magia única. Ele, obviamente, não era um cantor, mas a voz carregava carinho, encanto e vontade de agradar com uma poesia que parecia vir dele. A música já não estava mais no rádio, mas soava direto dele para ela, uma comunicação direta: conectados por aquele momento como talvez nunca estiveram antes e talvez nunca mais estariam, entre si ou com outras pessoas…

Ao deixá-la em seu apartamento, quase no amanhecer, Fernando deu um forte abraço naquela mulher que se tornava uma menina em seus braços. Ela absorveu todo aquele calor, disse ter sido incrível e entrou.

Quando se viu sozinha, não foi o arrependimento pelo noivo que lhe passou pela cabeça, mas apenas uma pergunta louca: quem era Fernando e, mais ainda, quem ela, Bianca, era? Não se reconheceu na intensidade de seu prazer, sensações e vontades. Não sabia que poderia ser tão destemida, sentir tantas coisas maravilhosas e se permitir conhecer outra pessoa tão rapidamente dessa forma.

Com a lembrança do olhar de Nando ainda na memória, Bia só saiu daquela espécie de transe quando ouviu seu pai sair do quarto para tomar o café.

Ao deitar-se em sua cama, poucas horas antes de ter de se levantar, seus lábios esboçaram um sorriso, como que encontrando um sentido não revelado, não posto em palavras naquilo tudo. Nando talvez tivesse completado nela algo que ela sempre buscou em si… “Não”, pensou, “eu sempre soube e senti tudo isso, mas ele foi um gatilho para que eu soubesse onde isso estava em mim, como um espelho que nos ajuda mostrando um reflexo de nós que já existe. Eu sou dona da minha própria vida e história e, por mais assustador e difícil que possa parecer pela responsabilidade, é delicioso”. Adormeceu agradecida por aquela quarta-feira qualquer que existiu em sua vida.

Voltando para seu apartamento vazio onde morava sozinho, Fernando sorria pela noite maravilhosa e se encantava pelo jeito de Bianca e em poder ter visto o quanto ela era incrível quando permitia a si ser ela mesma…

 

Imagem daqui

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Uma quarta qualquer – Parte III

Posted by RDS em setembro 13, 2016

O novo encontro

watch_wallpaper_1024x768_wallpaperhereQuando se encontraram no consultório, o cumprimento entre eles foi feito com respirações entrecortadas, se queriam. Mas havia o óbvio problema:

– Você é noiva, está para casar e isso é errado… Eu sei que não deveria dizer isso, mas eu te quero! – ela silenciou, sabia que também o que queria, mas o que ele apontava era evidente demais.

– É errado, sim, e eu deveria ter parado logo no início.

– E por que não parou? Há algo errado no seu relacionamento?

– Não há nada de errado, ele ainda é a melhor pessoa que conheço e quem quero para mim, mas algo pulsa em mim quando te vejo, te escuto… Sua voz faz meu corpo vibrar, querer.

– E o que vamos fazer a respeito? – perguntou ele sem saber se para ela ou para si mesmo. Acho que a coisa toda é difícil para você do que para mim, que estou livre.

– Qualquer coisa que eu fizer, não poderei culpar ninguém a não ser eu mesma e à minha vontade.

– Então você também quer?

– Muito! – e ele viu novamente aquelas faíscas nos olhos dela.

Encararam-se por alguns segundos, decidindo internamente o que já estava óbvio para seus corações que batiam apressados.

– Quarta-feira – disse ele.

– Como assim?

– Meu professor faltará nesse dia e terei a noite livre… – arriscou ele, achando que Bia negaria, ele mesmo não acreditava no que dizia.

Ela o olhou intensamente, pensou em seu noivo, no seu desejo, em como as coisas estavam resolvidas em seu coração. Um salto, juízo contra coragem, prazer ou sensatez. O que seria?

– A que horas? – respondeu Bia, e os dois não conseguiram pensar em mais nada naquela segunda-feira.

A terça passou lenta e com os pensamentos agitados, não se falaram naquele dia e ambos pensaram em desistir, mas a quarta-feira chegou e nenhum dos dois cancelou o encontro.

Imagem daqui

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Uma quarta qualquer – Parte II

Posted by RDS em setembro 13, 2016

Curiosidades perigosas

ouvidoCerto dia, enquanto estavam sozinhos na sala, Bianca não se aguentou e perguntou o que Nando havia pensado dela no primeiro dia em que se encontraram. Ele riu e disse que tinha sido cativado pelo jeito afobado dela, que a achou uma pessoa interessante no minuto em que ela ali pisou. Fernando devolveu a pergunta e ela tentou se esquivar, ele não permitiu:

– Você me fez falar, agora é sua vez!

– Bem, eu achei muito fofo o jeito que você me acalmou, na verdade. E você tem algo que contagia a gente, uma alegria, uma voz, não sei…

– Como assim, Bia?

– Ah, Nando… Quando meu telefone toca e vejo que é você, fico toda empolgada pra te ouvir. Você tem uma voz gostosa.

– Nossa – disse ele impressionado – não tinha nem ideia disso!

– E não é só isso – disse Bia com a voz morrendo nas últimas palavras e se arrependendo por falar demais.

– O que tem a mais? – quis saber o rapaz, já curioso.

– Nada!

– Nem pense em ficar quieta agora. Sou muito curioso.

– Naquele dia, quando você me olhou apertando os olhos, eu estremeci um pouco, não sei, acho que fiquei…

– Ficou como, com o quê? – e, curioso ao perguntar, apreensivo pelo que viria, espremeu novamente os olhos.

– Esse é o olhar! – devolveu Bia e ele riu, levantando as mãos como dizendo “olhar de quê?” – Esse olhar me deu um pouco de… tesão.

Bianca M. corou no mesmo momento em que disse as tais palavras e escondeu o rosto nas mãos, desviando o rosto de Fernando. Ele nem conseguia acreditar no que ouvira. Bianca era uma mulher linda, com uma pele leitosa, olhos castanhos, cabelos lisos e uma boca maravilhosa, sem contar o corpo incrível. Além disso tudo, sua personalidade e inteligência eram cativantes.

– Uau! – disse ele – Isso é novo pra mim, mas não precisa ter vergonha. Na verdade, eu também me senti muito atraído por você quando te vi… – Bianca levantou a cabeça e seus olhos cintilaram por um momento.

A situação tenderia a ficar estranha, não fosse a porta do consultório ser aberta, revelando o doutor liberando uma outra paciente e pedindo a Fernando para organizar os instrumentos de trabalho.

Despediram-se quase em silêncio naquela tarde, mas ambos carregavam um sorriso interno sobre tudo aquilo. Quando Nando teve de ligar para Bia na semana seguinte para marcar seu retorno, seu coração bateu mais forte e ele estranhou o telefone chamar mais vezes que o normal antes de ser atendido.

Conversaram formalmente por alguns segundos até que ele tocou no assunto e riu dela e de si mesmo sobre como pareciam crianças. Ela relaxou com o comentário dele e se permitiram falar abertamente daquilo que parecia tão natural. A conversa ficou um pouco mais quente naquele dia e ambos perceberam que se desejavam.

Num fim de noite ele não suportou e ligou para ela. O papo foi bom, sempre era! Antes de desligar, porém, ela perguntou:

– O que você está fazendo?

– Estava indo dormir…

– Hum. E como você dorme, normalmente?

– Deitado na cama! – e ele riu, entendendo o rumo que a conversa parecia tomar. Por quê, você dorme diferente?

Não é preciso muito para saber o quanto aquilo caminhou. Provocaram-se, criaram cenas disseram o que fariam um com o outro e os dois corpos queimaram de desejo, mesmo a distância…

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Uma quarta qualquer – Parte I

Posted by RDS em setembro 13, 2016

amarelo-queimado-wallpaper-15281Ela entrou afobada na recepção do consultório.

– Olá, estou um pouco atrasada, mas preciso ser atendida hoje porque tenho um compromisso amanhã e essa dor está me matando. Pode verificar que meu nome deve estar aí, o doutor está aí? Posso entrar já?

Ele estava sentado atrás da escrivaninha e, diante daquela entrada agitada, quase como uma personagem insuflada de diálogos que não eram apenas dela, só conseguiu sorrir. Quando a torrente de palavras amenizou, ele piscou lentamente, olhando-a nos olhos, e disse:

– Boa tarde! Você deve ser a paciente das 15h – e checando uma folha –, Bianca M., certo? O doutor está sim no consultório e seu horário está reservado. Uns minutinhos a mais não matam ninguém, não é? – e ele sorriu novamente, apertando seus olhos como costumava fazer quando achava algo divertido.

– Não mesmo! – concordou ela, sorrindo, acompanhando a aparente alegria do rapaz e com um tremor leve percorrendo o corpo ao ser fitada por ele daquela forma.

– Que bom que também pense assim. Pois só vou te pedir que aguarde um pouco porque, por coincidência, o doutor também vai se atrasar um pouco. – e ele quase riu ao dizer a frase. Uma criança apareceu aqui como emergência e encaixamos nesse espaço. É um paciente divertido e que nunca deixa o doutor trabalhar, pois tem medo, mas hoje ele disse estar disposto a ser atendido e a mãe o trouxe para aproveitar a janela de boa vontade.

– Tudo bem! – respondeu ela, sem alternativas, uma vez que os “minutinhos a mais não matariam ninguém”.

– Tome uma água e se sente um pouco. Prometo que será breve – o atendente a olhou e sentiu uma forte atração por ela, sem saber o motivo especial, apesar de já ter identificado durante sua entrada o quanto ela era bela e atraente.

Poderia se dizer que ali que se conquistaram. Ele ficou encantado com aquela entrada quase cômica dela. Ela se maravilhou pela forma como ele a acalmou, menos pelo que falou do que por aquele sorriso.

– Sem problemas, vou aguardar. Você também é dentista? – ela perguntou.

– Não. Pelo menos não ainda. Sou estudante, ainda na faculdade, e aqui trabalho como recepcionista e auxiliar.

– Achei que já fosse dentista também, não me leve a mal, mas não se vê muitos homens recepcionistas.

– Eu sei, mas é que a maioria tem um jeito carrancudo que nem sempre serve para lidar com o público. Eu já gosto disso.

– Você parece ser bom nisso!

– Obrigado. E você? Qual é o seu trabalho, Bianca?

– Sou psicóloga!

– Uma daquelas pessoas que assustam todo mundo por parecer saber o que estamos pensando, né?

– Mais ou menos, isso é lenda. Às vezes acho que nós é que somos os loucos, tentando ajudar outras pessoas a mudar.

– Você gosta do que faz?

– Gosto, muito! É o tipo de coisa que não dá para fazer sem amor. Mas gosto de outras coisas também.

– Como o quê, por exemplo?

– Tenho muita vontade de escrever, contar algumas histórias.

– Ficção?

– Mais ou menos, seriam contos e crônicas, histórias curtas. Algumas inventadas, outras baseadas em coisas que já vi e ouvi. Mas teria de ser ficção mesmo, caso contrário eu poderia ser processada – e sorriu para ele levantando as sobrancelhas e abrindo os olhos de uma forma que o capturou por vários segundos.

– Toda ficção tem seu quê de realidade, não? – disse ele quase como saindo de um transe.

– Às vezes acho algumas ficções mais reais que o próprio dia a dia!

– Imagino que, como psicóloga, já tenha escutado coisas bem interessantes.

– Muitas coisas, nós somos tipo um padre no confessionário, mas sem poder resolver as coisas com um terço – ele riu da brincadeira.

– Por que não escreve, afinal?

– Tenho alguns esboços, mas não sei. Acho que me falta tempo para preparar o material, ou coragem. Não sei se tenho segurança o suficiente para produzir algo assim. Ou então me falte a história principal, sabe? Um conto de abertura que justifique todo o resto, algo forte, cheio de sensações, que valha ser contado…

– Entendo. No entanto, é preciso arriscar um pouco, coragem! Ninguém está 100% certo das coisas que faz. Faça algo diferente, aposte. Nem que seja em pequenas coisas. Mude o jeito que pede seu café, almoço. Altere as ruas pelas quais caminha. Pequenas mudanças levam a grandes. Logo, você vai estar pronta para arriscar seu livro!

– Curioso! Acho que tem razão. Meu noivo sempre me diz algo parecido. Tenho medo de perder o juízo de vez, eu acho.

– Juízo é bom, mas esquecer-se dele também é. Não se pode ter muito juízo, caso contrário, não aproveitamos a vida. Seu noivo deve ser um cara esperto.

– Acho que ele está certo. Vocês dois, na verdade. Meu noivo é um cara incrível, não poderia encontrar ninguém melhor.

– Há quanto tempo estão juntos?

– Quatro anos!

– E vocês pretendem se casar?

– Sim, estamos planejando, inclusive, mas há muito que ajeitar ainda. E você, é casado?

– Não, longe disso na verdade. Solteiro.

– Convicto? – brincou ela.

– Não, apenas temporariamente. Gosto de passar um tempo sozinho, recuperando feridas, me conhecendo, sabendo o que quero.

– Como profissional da área eu te digo que isso é ótimo. Entender-se antes de passar ao outro é uma missão dura, porém necessária.

Nisso a porta do consultório se abriu e saiu de lá um garoto gorducho com longos cachos castanhos, com uma cara de zangado e segurando uma massinha vermelha na mão. A mãe o trazia pela outra mão e agradeceu ao doutor por tudo. Ela cumprimentou Bianca ao passar por ela e deu tchau ao atendente.

– Só um minuto que eu já vou te atender – disse o dentista a Bianca e, voltando-se ao rapaz, completou – Fernando, pode preparar a sala, por favor?

– Claro, doutor. Com licença, Bianca! – e apertou novamente o olhar, ela fixou aquele sorriso na memória como poucas coisas ficariam em si.

A restauração

O tratamento daquele dia não era nada complicado, apenas uma restauração que havia aberto e precisava de reparação. No entanto, o doutor informou Bianca que sua arcada tinha um dente que estava rotacionando e que seria preciso utilizar aparelho para corrigir o problema.

Ela negou a ideia inicialmente, argumentando que, depois de seus 25 anos, não queria utilizar aparelho, mas reconsiderou, pensando nas dores que uma mordida errada poderia ocasionar ao seu maxilar. O que a incomodou, inicialmente, foi saber que teria de fazer consultas regulares a cada 15 dias para realizar a manutenção do protótipo. Entretanto, o que não tem remédio, remediado está!

Com o passar dos dias, a mulher percebeu que não havia nada de ruim em ir ao consultório duas vezes por mês. Pelo contrário, as conversas com Fernando eram sempre gostosas e animadas e, nas semanas em que lá não precisava ir, ficava feliz de receber a ligação do auxiliar marcando a hora da próxima consulta.

Fernando também adorava os papos com Bianca M., tanto os que ocorriam na recepção quanto os pelo telefone, pois, eventualmente, quando ligava em um horário entre as consultas da psicóloga, conseguiam ter 10 minutos de uma conversa empolgada, cheia de risadas e animação para ambos.

O quase dentista parecia conhecer de tudo um pouco e não havia assunto sobre o qual não falasse. Bianca se deixava levar quando em presença dele, agradada do jeito do rapaz que aliviava os momentos de tédio da espera em um consultório.

A cada consulta, Bianca passou a chegar mais cedo para conversar e ficavam quase uma hora se conhecendo. Ele passou a chamá-la de Bia e ela o chamava de Nando, por sua vez. Quase como dois amigos íntimos, a conversa corria fácil, sem esforço, o assunto não morria. Cada um falava de seus anseios, sentimentos, pensamentos, riam juntos e se descobriam.

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AcidentE Adolescente

Posted by RDS em setembro 13, 2016

amigos-e-elite-002A adolescência sempre foi uma época que me intrigou e, não à toa, escrevo muito a respeito dela. O mais engraçado é que eu passei a me encantar pela adolescência quando eu tinha cerca de 13 anos. Lembro-me de estar na sétima série, na escola Jacomo Stávale e de desejar fazer um filme.

Na época, cheguei mesmo a esboçar um roteiro (ou o que eu achei que fosse um roteiro) nas páginas soltas do meu fichário. Infelizmente, eu não tinha o zelo (ou obsessão), que adquiri depois, de guardar cada bobagem e anotação que faço achando que um dia aquilo vai se transformar na minha maior obra (se bem que a verdade deve ser dita e uma anotação de margem de folha, na época da faculdade, por volta de 2006, quando eu estava escrevendo o Memórias de Um Universitário, acabaria se tornando inspiração para O Destino de Anita, criado entre 2012/2013).

Fiz o que acreditei ser o esboço de um roteiro e não havia uma história propriamente dita no meu filme. Naquela época, anos 2000, a ideia era ter várias esquetes juntas. Pedaços de cenas e acontecimentos do dia a dia de adolescentes que deveriam ser engraçadas e que algumas delas se cruzavam para aumentar a diversão.

Havia a ideia, por exemplo, de um irmão mais novo de um dos adolescentes, muito pequeno e magro, segurar uma porção de balões de gás hélio e sair voando em uma das cenas, enquanto o irmão e os amigos estavam distraídos. Depois de quatro ou cinco cenas distintas e com outros personagens, durante uma outra passagem, poder-se-ia ver o mesmo garoto franzino passando voando ao fundo, como se estivesse horas flutuando à deriva – mal sabia eu que, cerca de oito anos depois, em 2008, um padre faria da minha ideia de comédia um drama real… mas ainda assim comédia para quem conhece meu jeito de ver o mundo.

O nome do filme seria “AcidentE Adolescente”. O “E” é maiúsculo mesmo, pois a ideia era ter um “e” de adição sem colocar, para que o nome tivesse mais “fluência”. Vamos combinar que eu tinha 13 anos…

O tempo passou, meu roteiro sumiu e fiquei com aquela sensação de que tinha criado algo incrível e irrecuperável. Dessas sensações que a vida nos dá de que, se tivéssemos guardado apenas aquele rascunho (ou aquele momento ou tivéssemos dito aquela frase), a vida teria sido totalmente diferente e mais incrível.

Uma vez, para meu grupo de amigos de infância (companheiros que até hoje estão a meu lado – ainda bem!), ainda na sétima série, cheguei a propor que todos abandonassem outras ideias e fôssemos todos fazer facul de Cinema juntos.

O Rafael T. disse que isso seria meio impossível, porque as pessoas desejam coisas diferentes e não abandonariam seus caminhos sem ter algo certo na vida. Ele tinha razão. Eu mesmo desejo coisas tão diferentes que não fiz Cinema, me matriculei em Direito e, antes de começar a faculdade, decidi mudar para Jornalismo, curso no qual me formei. Depois me pós-graduei em Semiótica Psicanalítica, curso do qual o garoto de 13 anos que eu fui, se ouvisse o nome, acharia que era algum golpe secreto dos Cavaleiros do Zodíaco.

O tempo passou. A vida continuou incrível, o roteiro nem era tão bom assim (eu acho), mas eu ainda tenho muita vontade de fazer filmes, roteiros, mil livros e contos e crônicas.

Vou fazendo de pouquinho, adicionando minhas memórias, palavras e sentimentos conforme os passos pequenos que dou no mundo real ou na minha mente que, afinal, também faz parte do que existe e, portanto, é real.

Entre trabalhos, escritórios, reuniões e aulas, quando sobra um tempo que não sobra (aquela esticada que damos na madrugada deliciosa – tipo o que o Eduardo L. falou), vou tecendo minhas letras que devem formar alguma espécie de roteiro da minha vida.

Um admirador da adolescência enquanto ainda era apenas um adolescente iniciante. Um roteirista e cineasta que ainda não fez seu filme (e lembro de quebrar a cabeça pensando em como filmaria “tal cena”, enquanto escrevia o roteiro hehe), um escritor que escreve nas próprias entrelinhas, um cara que gosta dum papo descontraído que pode, quem sabe, se tornar o melhor roteiro do seu filme.

Vai ver esse é meu roteiro de vida afinal, uma espécie de AcidentE Adolescente que nunca cresceu direito…

Imagem feita na casa do Adam e, pelo que lembro, por ele mesmo com uma daquelas antigas câmeras de mão

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Stranger Things – O tecido da realidade é frágil

Posted by RDS em agosto 19, 2016

CUIDADO – eu acho que não, mas pode ter spoilers

IMG-20160819-WA0007Ontem de madrugada tive, finalmente, coragem (depois de adiar por quase duas semanas) de assistir ao “último” capítulo de Stranger Things. A conclusão é uma só: que coisa maravilhosa!

“Ah sr. autor, que argumento fraco, todo mundo diz isso e, de mais a mais, é apenas um seriado de ficção científica com um monstrinho bobo”. Não, não é!

Começando pelo sentimento nostálgico dos anos 80, mas não se limitando a isso, o seriado é original usando tudo o que já vimos por aí, mas combinando de uma maneira cativante os elementos. Mundos alternativos não faltaram em histórias, no entanto, essa pegada floresta-com-Silent Hill ficou bem elaborado. E olhe que nem estou tratando aqui da ótima referência aos RPGs.

Testes de LSD que desencadeiam poderes psíquicos também nos fazem refletir como, muitas vezes, mexemos com coisas que não entendemos e seguimos sem entendê-las, e continuamos mexendo. A combinação de explicações científicas simplificadas de um professor para seus alunos crianças é uma forma interessante de ensinar ao público o argumento da série sem se perder num vídeo que precisaria de um documentário acompanhando.

Para não me alongar e dar mais spoilers do que eu já devo ter oferecido até aqui, simplifico dizendo que a série vale pela amizade entre as crianças, que estão criando seus mais fortes laços e bases para entender a fidelidade entre as pessoas; vale pela forma como apresenta a empolgação infantil e sua criatividade em misturar a realidade interna e externa, significando ambas e criando o próprio mundo, em especial no ato de nomear locais e “seres” que ali aparecem.

A produção vale pela maneira como apresenta alguns conflitos adolescentes nos triângulos amorosos, hormônios em fúria e constrangimento; vale pela profundidade de um xerife machucado por uma história triste, porém que o deixa obstinado pelo que faz; conquista pelos laços de uma mãe desesperada que beira a loucura; e também pela coragem que cada um deles demonstra dentro de seu próprio universo, o infantil, o adolescente e o adulto.

O final… bem, não direi, mas fica muito claro apenas uma constatação: o tecido da realidade é frágil demais!

 

PS: A imagem eu recebi em algum grupo de chat e achei muito boa, me perdoem aqueles que não receberam os créditos por ela, se alguém souber, só me avisar que incluo.

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Rode, ria, viva

Posted by RDS em agosto 19, 2016

IMG_20150312_153559559Acho que a vida começou a ficar difícil quando eu parei de rodar. É, sabe quando você é criança e vai para o quintal e, sem precisar de nenhum motivo, começa a rodar? Isso.

E não basta dar umas voltas, você precisa perder um pouco a noção e deixar seu labirinto louco.

Depois de adultos, nós tentamos diversas táticas para continuar rodando. Beber é uma das principais, mas eu posso jurar que nenhuma é tão eficiente quanto liberar seu corpo um pouco sem se importar com a roupa, maquiagem, cabelo ou cara. Apenas girar!

Quando a vida ficar difícil, mesmo sendo adulto, vá para o quintal, garagem, lavanderia ou qualquer outro local com espaço e rode, gire muito, até perder a noção de espaço, sentido ou direção. E, quando não aguentar mais, vá diminuindo o ritmo e pare, cambaleie para perto de uma parede, encoste suas costas e “escorra” por ela até sentar no chão, rindo de si mesmo enquanto é o mundo que gira.

Isso salva a vida!

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