O Padrinho – uma oferta irrecusável

Numa tarde de 21 de janeiro, cheguei à casa de um amigo de infância para um possível encontro de casais. Eu, ele, nossas respectivas garotas e mais um casal amigo estariam presentes. Cheguei correndo dentro da casa recém-construída, literalmente, pois precisava muito ir ao banheiro mijar. Não à toa tenho o apelido de “bexiga de grávida”.

Conversamos um pouco, conheci o espaço e estava cada vez mais contente pelas conquistas desse meu parceiro e sua companheira quando veio o convite… “Vocês aceitam ser nossos padrinhos?”.

Não havia como dizer não a essa pergunta. E não digo isso apenas pela forma como o convite foi feito – com a entrega de uma caixa delicada e artesanal que continha um cartão com a proposta acompanhada de um “suborno” de 09 brigadeiros variados (limão, paçoca e o clássico de chocolate – minha preferência é pelo último, sempre, sou um romântico incorrigível por um motivo rs).

Quem me conhece sabe que basta oferecer algo delicioso para comer para que eu me renda…

Apesar da demora de alguns instantes até que eu compreendesse toda a situação, logo que consegui dizer algo, a resposta foi um grande e óbvio sim. No entanto, o que me conquistou não foi a comida, foi a honra.

Não dá pra explicar o quanto a gente se sente honrado quando recebe um convite desses. Tenho a sorte de ter acompanhado diversos momentos incríveis desse tipo de meus amigos e familiares.

Sou padrinho de casamento de meu irmão (com a maior honra e orgulho também), fui testemunha do casório de um outro amigo de infância que agora mora um pouco longe, mas permanece no coração e… enfim, o fato é um só: cada momento desse é único, cada convite é uma bênção e cada participação só mostra como a vida vale a pena quando estamos rodeados de pessoas que amamos.

Os noivos

O noivo é meu amigo desde quando nem entendíamos o que significava casamento ou padrinhos, mas já entendíamos de companheirismo e amizade, e fomos construindo a nossa no dia a dia, nos desafios e nas alegrias da vida. Rindo, chorando, brigando, xingando e aprendendo juntos, como uma boa amizade deve ser.

De Cavaleiros do Zodíaco, Resident Evil e Chaves, passamos a faculdade, trabalho e relacionamentos.

Já vi o noivo chorar de amor, ele já me viu em situações iguais ou piores. Lembro de quando ele me disse que começou a ficar com uma garota que não conhecíamos, foi na casa dele, enquanto armávamos alguma bagunça. Bastou que a conhecêssemos para que uma afinidade imediata surgisse. Entre risadas demos oi,  e meu amigo na ansiedade de saber para onde tudo aquilo iria… e hoje quero estar ao lado dele e de sua noiva, com lágrimas e/ou sorrisos, constatando que “não foi”, mas está indo e, com sorte, amor e luta, continuarão caminhando, juntos, por toda a vida!

É difícil definir exatamente o papel de um padrinho, o que sei é que eu e minha garota queremos ser o melhor que pudermos para esse casal amigo, fazendo de tudo para ver seus sorrisos, seja numa conversa franca, arrancando uma gargalhada com uma palhaçada ou ajudando a fazer um almoço ou uma mudança.

A gente, se parar para pensar bem, não tem muita coisa na vida e nem precisa. Para estar ao lado de quem amamos, basta estar ali, para o que der e vier.

Pois bem, Adam e Lívia, é o que posso dizer: obrigado pela honra e estamos aqui!

Bora celebrar!

Não sou… mas sou

Não acredito em signos zodiacais, mas sou pisciano. Logo, acredito em signo, magia, duendes e em como uma pulseira que eu tinha na terceira série e perdi definiu o rumo da minha vida, pois estava investida com poderes mágicos.

Não sou infantil e imaturo, mas adoro e consumo intensamente todo o tipo de produto cultural. Isso inclui livros, quadrinhos, séries, filmes, músicas e games, e a maioria envolve super-heróis, fantasia e coisas quase impossíveis de acontecer… Porém, é óbvio que esse “quase impossível” é mentira. Todos sabemos (silepse identificada!) que, se algo pode ser imaginado, pode acontecer ou ser feito. Deixar a mente viajar, portanto e aguardar que uma aventura aconteça a qualquer momento não é imaturidade, mas puro realismo (a colisão de dimensões do multiverso é uma realidade!).

Sou objetivo e direto no que quero, a menos que exista mais de uma opção possível. Nesse caso, eu posso passar algum tempo considerando o leque que se abre a minha frente, coisa rápida, algo em torno de oito anos apenas.

Não gosto de me questionar sobre coisas as quais não obterei respostas, mas o que diabos, afinal, estamos fazendo aqui? Sério que eu nasci apenas porque duas pessoas estavam a fim de ter um filho, sem nem ter ideia de mais nada? Podiam ter comprado um cachorro… Qual é meu dom, afinal? O que eu consigo fazer da vida para me comunicar com a alma das pessoas, ser feliz e fazê-las felizes? Alguma sugestão, alguma dica? Querem me colocar para trabalhar em um filme? Cá estou, me chamem. Estou quietinho, sem me questionar de nada não!

Sou um behaviorista, tão calcado nessa lógica de que o comportamento define e programa as pessoas que quase ignoro esse universo subjetivo, intenso e individual que carregamos em nosso inconsciente e que sobredetermina nossas ações. No entanto, obviamente, uma vez identificando esse self é impossível não compreender que, se descobrindo, esforçando-se para tirar amarras e até mesmo aceitando seu próprio desejo como seu, podemos advir o sujeito de onde antes era o Isso… Enfim, totalmente behaviorista!

Sou sóbrio e defendo hábitos saudáveis, uma vida de exercícios e comedimento, mas gosto de viver com intensidade. Logo, aquela birita a mais num encontro com amigos, dormir às quatro da manhã por estar fazendo algo sensacional que te tira o sono e a noção de tempo, comer gulosamente (de tudo) quando o sabor é delicioso, e se jogar em um sofá vendo filmes por 8 horas são apenas detalhes pontuais… Uma vida quase espartana, obviamente.

Sou quieto e gosto de ficar no meu canto lidando apenas com minhas questões e minha imaginação, mas me conecto demais com diferentes pessoas e não consigo deixar meus amigos e familiares de lado. Logo, eu estou sempre falando sobre alguma coisa que foge da minha rotina e vivendo um pouco de cada pessoa que conheço, o que contribui para o mosaico que é minha cabeça. E eu amo isso! (obrigado a todos, btw).

E aí?

No final das contas, não sou tantas coisas que me permito ser tantas outras. Ou seria o contrário? Sou algumas coisas que não me permitem ser outras? Acredito ter potencial para tanta coisa que acabo não escolhendo direito (Vamos fazer um filme, escrever histórias e virar comediante, ao mesmo tempo em que sou professor, psicólogo, médico holístico e avaliador de séries?).

No íntimo do ser, nossas várias faces se condensam, mesclam, brigam, dão as mãos e caminham juntas. Somos complexos e não tentemos ser simplistas, podemos ser simples, leves, mas isso passa por admitir nossa complexidade, por admitir que somos paradoxais, com emoções complementares e dissonantes e concomitantes.

Pode dizer que a gente não tem a mínima ideia do que está fazendo, não é vergonha não! É até libertador, na verdade, e te permite arriscar mais, pois admitimos uma busca (de sentido, prazer, propósito, romântica, de reconhecimento, etc.) pela vida.

Afinal de contas, ainda acho (só acho, porque certeza é um negócio tão difícil e chato) que o caminho vale mais que a chegada (O Destino de Anita, lembra?). Bora fazer perguntas, pois uma pergunta interessante é mil vezes mais criativa e incrível que uma resposta bem elaborada (com enunciado e conclusão – “dois dedos de parágrafo, e não esqueçam de permanecer nas linhas!”).

Perguntar é buscar e buscar significa se mover: a vida se resume a movimento. Seja na visão científica ou religiosa, a vida e a natureza se move, começou se movendo, agitando tudo. Seja numa explosão que expande num ínfimo de tempo (inexistente até então) tudo o que existe e mescla elementos químicos em caldeirões borbulhantes; seja o espírito de Deus pairando sobre as águas e depois dando um monte de ordens que organizam as coisas, tudo se move.

Por que você ficaria imóvel, então, com sua mente estagnada nas respostas que você acha que tem? Sentir as emoções e pensamentos se revirando dentro de você pode incomodar, mas é o que te prova estar vivo… Talvez!

Mais uma foto do nosso glorioso Adam em seus tempos de aprendiz. E aposto que a imagem só ficou legal porque o modelo (em seu início de faculdade) era bom, com todas as suas obturações aparecendo!

O homem é um bicho trouxa demais!

IMG_20160930_191459050E ele não é trouxa porque a mulher é mais esperta, apenas. A gente sabe que ele é trouxa porque ele faz umas coisas que acha que engana, mas que não funcionam.

Por exemplo, quando o cara chega bêbado em casa e quer parecer que está normal ou fazer silêncio. Vocês já chegaram nessa situação, tendo de disfarçar e serem sorrateiros? Como se ninguém fosse notar sua ausência até às quatro da manhã!

O homem tenta pisar manso na escada, como se ninguém estivesse escutando que ele dá três passos para cada degrau que tenta subir. Em toda sua malandragem, ele segura parte do chaveiro com a mão enquanto gira a chave na fechadura da porta, tentando evitar um tilintar.

Mas o homem é burro porque ele não se toca de como a mulher antecipa as coisas.

Por exemplo, sabe aquela porcaria que elas chamam de aparador? Aquela estante que ocupa um puta espaço na sala e que só serve para elas colocarem um vaso ou um enfeite merda em cima? Pois bem, aqui é malandragem feminina pura, na verdade! Invariavelmente, o homem encontra uma função para o objeto: jogar chaves e carteira ali. Se tiverem colocado um cinzeiro ou algum enfeite no formato de tigela, as moedas também vão para aquela droga.

O que os homens não percebem logo de cara é que o aparador não é um objeto qualquer de decoração que a mulher tem vontade de ter porque as amigas têm, não! Ele é um projeto de neurociência e psicologia. Ele serve para você, homem, achar que é esperto por ter dado uma função tão boa para o objeto quando, na verdade, ele é sempre feito de vidro ou algum outro material barulhento. À toa? Nunca!

Elas nos treinam diariamente, até usando psicologia reversa do tipo “não deixe suas coisas jogadas aqui”. Elas sabem que quanto mais falarem isso, mais faremos o oposto. Porque somos homens, e podemos até não confrontá-las para ir tomar aquela gelada com os caras depois do futebol, mas sabem que, para mostrar que ninguém é “pau mandado”, nós vamos jogar nossas moedas, carteiras e chaves ali. (objeto facilmente substituído pelo teto de uma geladeira).

A verdade é que o aparador serve como um alarme. Bêbados, nossa mente nem imagina que um ato cotidiano serve para alertá-la, no quarto, quando chegamos. Elas planejam tudo. “Se ele chegar bêbado e tentar não fazer barulho abrindo a porta, vai jogar as chaves no aparador e vou ouvir”. Elas acessam nossa mente. Você nunca vence uma mulher, elas nos criaram. Desde cedo entendem nosso funcionamento e vão colocando gatilhos mentais de controle.

Uma estratégia secular.

Mas o mais tolo é quando ele vai ao banheiro e, tentando não acordar a esposa, mija nas laterais internas da latrina para tentar evitar o barulho da água. Claro! Mijar é que vai acordar a sua esposa e entregar que você esteve na gandaia a noite toda! Não esse bafo de cachaça, esse suor de cerveja que vai amanhecer fermentado, o carro estacionado com a bunda na rua e as rodas em cima do gato do vizinho, ou todos os barulhos que fez tropeçando, a roupa amarrotada no canto, e nem o fato de você dormir de barriga para cima e roncando, coisa que nunca faz. Não!

Todos esses detalhes são insignificantes. Nós homens sabemos: se conseguirmos controlar o fluxo urinário e não acertarmos a água, nem a descarga nos entregará!

 

Imagem de uma bela catuzinha no início de uma noite!

A professora – a inspiração e o início

DSC_0161Desde que percebi que conseguia ler e escrever – e foi difícil, pois cheguei a acreditar que aqueles símbolos nunca fariam sentido para mim – (e há pessoas que, pela minha letra manuscrita, até hoje acreditam que eu nunca aprendi a escrever realmente), gosto do ato e o pratico.

Nada técnico. Na verdade, é mais instintivo. Claro que, pela minha formação escolar e acadêmica, tive de aprender o nome de algumas regras, por assim dizer. Entretanto, sei que erro bastante, mas pelo simples fato de que faço bastante. Lei da vida.

Por que faço? Bem, é simples, porque foi assim que comecei, deu vontade e a inspiração bateu!

Sou jornalista, mas meus amigos mais antigos me consideram uma espécie de mini-historiador. Sou uma das "memórias" dos grupos dos quais participo. Vi e ouvi muito e guardei muita coisa. Apesar de parecer prepotência dizer isso, não é. Até mesmo porque não consigo ser prepotente, minha autoestima destruída não deixa, e olha que várias pessoas já me disseram que eu até poderia ou deveria ser “metido”… Não posso, não quero, é contra quem sou!

Pois bem, até que sou bom em ser esse “arquivo” e faço a reconstrução dessa micro-história, às vezes, em meus textos. É claro que trato de coisas sob meu ponto de vista, mas percebo, cada vez mais, que falo de outras pessoas, pois sou delas constituído e, se alguém tiver de contar a meu respeito, não serei eu!

Cumprindo meu papel de "historiador de bairro", deixo aqui um obrigado a uma professora minha. É claro que existem muitas pessoas que quero homenagear em minha vida, mas inspiração para essas coisas não tem hora marcada e fui assaltado pela lembrança dessa pessoa maravilhosa e senti o ímpeto de falar dela.

A professora de Português

Eu a conheci na oitava série, lá no Jacomo Stavale (escola cuja grafia do nome aparece de tantas distintas formas que excluí os acentos propositadamente), colégio estadual da Freguesia do Ó.

Ela, a professora, não a escola, era diferente, jovem, dinâmica, rígida, porém sem chatice. Era bonita, e dizem que isso facilita o aprendizado por atrair a atenção. Deve ser verdade.

Nesse tempo, eu já gostava muito de escrever e até conseguia surpreender a mim mesmo em alguns textos escolares. Fora desse ambiente, arriscava apenas versos de rimas pobres. Mas sempre fui um bom leitor.

Leila, apesar de ser seu primeiro ano conosco, havia sido também designada como coordenadora de nossa sala e isso dava mais força para que ela tivesse pulso firme, disfarçando o medo de falhar pela confiança no olhar. Em pouco tempo, tornou-se nosso "general", mas não seguido por medo e sim por admiração.

Ela, embarcando no espírito adolescente que nos movia, também contestava ordens superiores quando as percebia sem sentido e até nos incentivava a fazer o mesmo, até quando era contra ela mesma. Mas era boa argumentadora, difícil de derrubar algo que dizia. Inspirei-me. Algumas pessoas dizem que têm preguiça de discutir comigo porque é meio longo o processo rs.

Acabei admirando cada vez mais aquela professora e sei que também a conquistei. Nossa sala toda, na verdade. Éramos legais na maior parte do tempo e a Leila fazia questão de ressaltar que tudo ali era uma troca e não uma pedagogia de “mão única”. Era preciso respeito e responsabilidade, mas estávamos ensinando uns aos outros o tempo todo. Passou a afobação dos primeiros dias e tudo ficou incrível.

Dois fatos, no entanto, ficaram marcados em mim e tenho certeza de que foram determinantes para que a Leila me visse como um amigo (justiça seja feita que ela sempre teve respeito pela individualidade de todos).

Como as aulas de Português tinham maioria na grade, certo dia ela pediu para que pesquisássemos textos sobre determinado assunto e trouxéssemos no dia seguinte. Era início de 2001 e a internet não era rápida e nem tãaaaao difundida como é hoje. Logo, tínhamos de nos utilizar de outros recursos, tais como livros em casa, biblioteca e etc.

Lembrei-me de alguma vez ter passado o olho em uma poesia de Machado de Assis a respeito do tema proposto e procurei o velho livro nas caixas lá de casa (até hoje ele está lá, acabadinho e cansado, em minha estante) e a copiei para levar no dia seguinte.

Não apenas eu, grande parte sala fez uma bela pesquisa e trouxe ótimos textos. Naquele dia, impressionamos a Leila. E tive certeza disso quando, tempos depois, durante uma bronca (nós merecemos), nossa coordenadora de sala disse “uma sala que consegue fazer tantas coisas maravilhosas, como vocês fazem, não pode se deixar levar por essa infantilidade. Poxa, vocês pesquisaram Machado de Assis de um dia para o outro e entendiam o texto, não se rebaixem!”.

A bronca foi válida em dois sentidos: botamos a mão na consciência e eu fiquei feliz com a citação indireta que recebi, sabendo, naquele momento, que “vacilar” era não apenas estragar o dali pra frente, mas um pouco do “dali para trás” também.

O segundo momento – livro de um dia

O segundo momento em que ela me olhou de maneira especial, e gostei, foi quando ofereceu a nós uma lista (reduzida, porque a biblioteca de nossa escola era bem pequena) de livros que poderíamos ler para uma suposta prova dali a algumas semanas.

No mesmo dia acabei selecionando um título e “aluguei”. Era o Sangue Fresco, de João Carlos Marinho. Com o perdão da expressão, na época achei o livro bem “merda”. O Marinho que me desculpe, não me lembro de outras obras dele e nem reli a citada, mas a história, apesar de ter seu sentido de paródia, era bem ruim. Basicamente é sobre uma turma jovem (jovens demais para as aventuras em que foram colocados) que é sequestrada e depois passa por umas aventuras na floresta.

Cheguei no dia seguinte para a Leila e disse: “prof, posso pegar outro livro? Selecionei este aqui da lista e achei muito ruim, não posso pegar um que tenho lá em casa?”.

Ela me olhou desconfiada e pediu para dar uma olhada no livro. Abriu, leu algumas linhas e me disse: “por que você não lê e depois vê? Talvez ele não seja tão ruim assim!”.

– Mas eu já li!

– Como assim? Eu passei a lista ontem, você já tinha lido?

– Não, peguei na biblioteca e li ontem à tarde.

Apesar de não ser um livro longo, ela se impressionou. E mais ainda quando falei do livro que eu queria ler: Noite, de Erico Verissimo. Entre me pedir para contar um pouco da história e explicar os motivos pelos quais Sangue Fresco era ruim (o que incluiu exemplificação com trechos e passagens que eu lembrava ter odiado), ela permitiu que eu fizesse a troca.

Eu ainda não conhecia Verissimo nem pelo nome – nem o pai e nem o filho –, mas aquele livro me impressionou demais! Tanto que até hoje, mesmo não sendo um dos mais cotados do Erico, é um dos meus favoritos.

O que fez com que claramente conquistasse a confiança da Leila foi o fato de eu, normalmente, não efetuar críticas sem tentar conhecer um pouco a mais sobre o objeto em análise. É claro que brinco muito e falo muitas coisas sem pensar, mas ela se identificou com esse meu lado analítico.

Isso porque ela também é emocional/lógica. O que quero dizer com isso é que o coração dela a impulsiona em um sentido, mas ela não critica, culpa ou julga antes de ter conhecido mais a fundo e, se o faz, deixa claro que aquela visão é “de acordo com o que sei até o momento”.

Leila tinha aquele ar adolescente de contestação, como eu disse, e isso também nos cativou. Foi uma das professoras que mais brigou pelos alunos lá na escola, fazendo das tripas coração para nos levar a eventos artísticos como cinema e peças de teatro variadas. Valeu muito a pena!

Hoje, repensando, tenho saudade e a vontade de ter visto mais coisas, mas as horas de bate-papo com ela e outros amigos e amigas – que ficavam depois das aulas pelo simples fato do prazer em conversar e refletir (e fazíamos com que ela se atrasasse um pouco para seus outros compromissos rsrs) – foi um dos elementos que até hoje me fazem amar as pessoas e querer escutá-las, por mais que eu comece um diálogo discordando delas totalmente.

Leila era assim, apesar de seu coração a mover em uma direção, havia empatia o suficiente para olhar às pessoas a partir do local em que elas estavam e não sob um prisma imaginário que temos das outras pessoas. Isso muda tudo. Mudou para mim e para diversos de meus amigos e colegas que ainda a amam como amiga e educadora.

Certa vez, nos idos do falecido Orkut, escrevi espontaneamente um “depoimento” sobre essa minha querida professora. Por algum motivo tecnológico ou de mau uso da ferramenta, o texto foi apagado.

Ela uma vez me disse que sentia falta de ler aquele material, mas eu não o tinha mais comigo. Não vou conseguir reconstituir aquele texto nunca. Na verdade, não lembro os pormenores do que escrevi, mas, como sigo o padrão de falar o que meu coração manda e minhas lembranças corroboram, ele deve estar em linha com este longo relato do micro-historiador.

O início

Mais ainda deve ser dito sobre Leila, sobre o ano seguinte, quando eu estava no primeiro ano do Ensino Médio, o famoso colegial.

Um dia, uma garota linda por quem eu tinha uma queda (dessas tranquilas, do décimo andar) me perguntou se eu só escrevia para redações da escola ou também outras histórias. Fiquei com isso na cabeça.

Verdade seja dita que, entre o final da oitava e o início do primeiro colegial, eu tentei iniciar um livro. A história era ao estilo medieval e escrevi pouco, coisa de umas 15 páginas (o que parecia bastante para mim, na época). Eu tinha um computador bem velhinho que havia sido doado por meu tio. Para se ter ideia da capacidade, era um 233 com incríveis 3GB de HD. Não citarei a RAM para não assustar os técnicos.

Essas informações parecem inúteis, mas são algo importante ao saber que perdi todo o trabalho desse livro por conta desse PC. E o pior é que meu disquete com a cópia (sim, senhoras e senhores, sou da época histórica da civilização em que usávamos disquete “sabe todas as histórias e lendas? Elas são reais!”) também se danificou.

Eu fiquei muito puto e bravo por ter perdido o trabalho, mas um amigo que tinha lido o início do texto o achou muito parecido com O Senhor dos Anéis (apesar de eu ainda não ter lido ou assistido nada a respeito até o momento). Foi bom afinal. Tolkien é muito melhor que eu nesse estilo fantástico. Fico com os romances/dramas/comédias/contos/crônicas para me satisfazer.

(PAUSA ALEATÓRIA – eu já me ferrei tanto perdendo materiais que cheguei a imaginar um livro sobre o tema no qual o personagem principal, um escritor, perde tantas vezes o material que vai se irritando e ficando louco. A ideia do texto, que ainda pretendo escrever, é mostrar como a história nunca fica igual e se altera a cada versão feita – para justificar aquela sensação que temos que “estava tãaaaaao bom antes, pena que vocês, agora, só podem ver essa cópia barata do que o texto deveria ser”. Ela, a história do escritor puto, teria uns quatro finais diferentes para brincar com a ideia e fazer aquela referência egoica que eu adoro! rs).

(PAUSA ALEATÓRIA 2 – Por favor, não roubem minha ideia, deixem que eu me dê mal com ela primeiro).

Pois bem, a menina perguntou e eu respondi finalizando um poema gigante que estava fazendo (o qual ela nunca leu ou lerá rs) e depois decidi escrever dois contos relativos a sonhos que eu havia tido. Até hoje essas são duas histórias que eu adoro, mas a primeira é aquela pela qual tenho mais carinho, chamada “Os cinco sorriem”.

Ela é maravilhosa e provavelmente um dia será lançada no meu livro de contos e crônicas (se chamará “Estações” a antologia, bem viado mesmo, porque é assim que eu escrevo, com drama, imagens e frescuras).

Fato é que, quando você é novo e escreve, você não sabe muito bem o que fazer com o texto. Fiz o que estava ao meu alcance: imprimi (porque, para mim, essa era a garantia de que eu não o perderia nos disquetes e HDs bichados) e deixei que algumas pessoas de minha confiança dessem uma lida.

A manicure

E vocês, roendo as unhas, me olham e dizem: caceta, Renan, e o que a Leila tem a ver com tudo isso aí?

Pois bem, para mim foi um grande passo entregar dois desses textos impressos para ela. Hoje, nós nos vemos como amigos (e já o éramos na época), mas ainda havia aquela questão hierárquica e de conhecimento superior dela. Tipo quando você faz um desenho de boneco palito e vai mostrar para o Salvador Dali.

Arrisquei e falei para ela dar uma olhada e me dizer o que achava. Ela os recebeu com certa curiosidade e pareceu agradecida pela confiança. Eu tentei parecer displicente quando entreguei o material, como se não me importasse muito com meu próprio trabalho, eu me importava (e me importo ainda, então, se quiserem me dar retorno eu fico muuuuito feliz, ok? Obrigado, de nada).

Depois de alguns dias, ela veio me pedir desculpas pela demora em me dar um retorno e eu disse que tudo bem, é óbvio que eu estava ansioso. Bem, eu poderia esperar, não sabia o que fazer com aqueles textos de qualquer forma. Ela disse que havia gostado, que precisavam de revisão, mas que havia gostado. E me perguntou por qual motivo eu os havia escrito… Não lembro o que respondi, mas lembro de ressaltar que tinha sido espontaneamente, sem nenhum pedido específico.

Isso era verdade em partes, eu queria impressionar uma garota (é sempre por uma garota…), mas eu nunca deixei que ela lesse o texto, apesar de nada de mais haver ali em relação a ela. Acho que é aquela equação que fazemos do “se ela não ler, não tem como odiar e, portanto, estou preservado do desgosto dela!”. “É”, alguém replicaria, “mas ela também não terá a oportunidade de conhecer e gostar”.

Faz sentido, e é por isso que passei a mostrar tudo o que escrevo, as pessoas gostando ou não. (Pois eu não fiquei com aquela garota mesmo e prefiro não repetir o erro. Claro que hoje recebo mais críticas, mas, ao longo do tempo, elevei muito minha relação com mulheres – convenhamos que não era difícil subir da base zero daquele início de ano).

O que a manicure tem a ver com isso, afinal?

Fiquei realmente puto e feliz quando minha impressora deu pau! Bravo porque, obviamente, agora meus textos estavam presos dentro do mundo virtual e eu não tinha mais cópias físicas deles. Feliz porque, com medo de nunca mais recuperar meus escritos, semanas depois, fui pedir à Leila que, se pudesse, me devolvesse os materiais.

Qual não foi minha surpresa quando ela me disse que poderia me trazer, mas apenas na outra semana, pois tinha ido à manicure e esquecera os materiais ali. Achei que ela tivesse levado os textos até lá para ler enquanto fazia o tratamento das unhas, mas a verdade me impressionou, ela havia levado até lá para dizer “olhem o que meu aluno de 14 anos escreveu!”.

Eu fiquei tímido, mas isso foi um choque e tanto do tipo: se ela gostou a ponto de levar para outras pessoas lerem, isso quer dizer que não são ruins.

Segui nessa jornada e hoje já são quatro livros de ficção escritos, um de não-ficção quase pronto e mais alguns outros trabalhos. Fora meus contos, crônicas e reflexões que você encontra aqui no Mas…

Bem, contar tudo isso não tem outra razão a não ser ressaltar o imenso respeito e carinho que tenho por essa professora e educadora. Que, além de nos ensinar, ainda é amiga e desde muito breve compartilhou bons momentos conosco. Fosse conversando, questionando ou, depois, comparecendo a nossos encontros em pizzarias e etc.

Obrigado Leila!

E por que escrever isso agora? Porque eu sou um mini-historiador, acredito que essas pequenas lembranças componham uma cena muito maior das pessoas que conheço, do bairro em que vivi e vivo, da cidade à qual pertenço, do contexto do qual participo e divido com todos. Escrevo, acho, para compor um sentido de narrativa da existência, minha e de todos ao meu redor.

Em última análise, escrevo por um único motivo simples: porque, assim como quando comecei, deu vontade e a inspiração bateu!

 

A foto foi tirada há mais de 10 anos pelo Adam Tavares que, depois de ver como era ruim nisso, fez questão de virar um fotógrafo foda só para provar que conseguia! Hoje ele é um fotógrafo de respeito, com ótimo portofólio e que sabe escolher padrinhos como poucos Smiley piscando

Sem culpa–a catedral

IMG_20161016_003159135– Eu falei que era perigoso. Era para ser só um caso, coisa rápida, coisa de uma noite… Duas, no máximo. Mas não foi… – o tom dela era ameno, explicativo, pois estava apenas afirmando o óbvio, era necessário falar, no entanto, desafogar o peito, ter a certeza de que não era apenas ela que sentia aquilo.

– Eu não podia, não devia. Nos apaixonarmos não era parte do plano. Agora, não sei o que fazer – ele sabia que estava errado e se desculpava no tom de suas palavras, mas com o brilho de seu olhar mostrando o quanto seu coração e seu corpo a desejavam.

Estudavam no mesmo local, já não eram crianças. Dizem que ninguém mais é quando está na universidade, mas os dois sentiam palpitações que apenas um coração infantil poderia produzir. Aceleradas, fortes.

Ele namorava, ela não.

Deveriam, precisavam continuar apenas amigos, mas há certas coisas que fogem um pouco ao nosso controle. É difícil conter o desejo quando os olhos faíscam.

Quando se viam, alegravam-se como o coração de um infante no Natal. Sempre que os olhos claros dele e os castanhos (esverdeados) dela se encontravam, era Natal dentro dos dois. Vê-la e não poder tocá-la era como ter de aguardar até a meia-noite para abrir um presente que era certeza ser seu… Mas o horário nunca chegava.

O caso se estendeu além do que devia, foram pegos. Não havia como não!

Dedos foram apontados, culpados buscados, a situação não permitia mais que estivessem juntos. A vida preferiu afastá-los… Até que se esbarraram.

Era uma noite quente numa lanchonete de verão, com varanda e um cardápio com sucos, açaí e tapioca. Tinha cerveja também, mas não queriam. Quando se viram, quiseram ter a certeza de que estavam sóbrios e que nada daquilo era um sonho.

Ao fundo, o rapaz com violão que fazia um som ao vivo enquanto cantava fez uma pausa. Precisava de uma água, dar uma respirada – todos precisamos de vez em quando.

Eles aproveitaram e suspiraram, precisavam de ar, de oxigênio que se transformasse em energia e os permitisse captar cada detalhe. Nas caixas de som começou a tocar uma música da rádio. “Hey, I was doing just fine before I met you…”.

Sentaram-se juntos, esqueceram os motivos que os levaram ali, só importava que ali estavam. Como no primeiro bar, durante o primeiro chope, a gargalhada sincera dela, o toque dele em sua pele macia, o olhar que não enganava e chamava, pedia.

“Four years no calls…”

Cinco, seis anos, quem sabe, haviam se passado desde toda aquela confusão – ninguém estava contando, ninguém queria: o tempo congelou por alguns segundos, como se vivessem à beira de um buraco negro… não, o tempo parara mas havia luz, mais do que nunca.

Ao fundo, as luzes da catedral iluminavam sua silhueta que emoldurava a cena dos dois, quase como uma bênção prévia.

Olhavam-se abismados, não souberam exatamente o que falar ou o que fazer por alguns segundos depois do “oi”. E então tudo ficou tão óbvio.

“I can’t stop…”.

Beijaram-se! Com ímpeto, com paixão, com um abraço para finalizar, lembrando a primeira vez quando “quebraram o gelo da mesma forma”.

Se alguma dúvida havia que o desejo entre eles permanecia, ali ela sumiu junto a todas as outras.

– Eu falei que era perigoso. Era para ser só um caso, coisa rápida, coisa de uma noite… Duas, no máximo. Mas não foi… – o tom dela era ameno.

– Eu… – mas dessa vez era diferente, ele estava sozinho, ela também – posso, eu quero, eu devo! Nos apaixonarmos não era parte do plano. Mas agora podemos planejar o que quisermos.

Não começaram a namorar ali, mas uma nova chance se abria, um novo faiscar no olhar, regado a suco e açaí.

“So, babe, pull me closer…”.

Ele a acompanhou na saída…

Soou meia-noite na catedral enquanto ele, finalmente e novamente, desembrulhava seu presente. Sem culpas dessa vez!

“Danaldo” Trump

5754402No dia 08 de janeiro saiu notícia dando conta de que Trump (isso mesmo o Donald, mas não o pato legal da Disney, o outro, o espiga) reconhecia os ataques informáticos russos que poderiam ter afetado os resultados das eleições norte-americanas.

Hoje, 11 de janeiro, notícia divulgada pela CNN ontem (10/01) chegou aqui no Brasil e dá conta de que Trump é ajudado há anos pelos russos e que, ao mesmo tempo em que eles o alavancavam também reuniam informações comprometedoras a seu respeito em orgias, práticas sexuais pervertidas e tudo o mais.

Sem nenhum moralismo quanto às orgias (se está todo mundo de acordo, quem sou eu para falar o contrário?), se os russos realmente foram responsáveis por ajudar o “Donaldo” (ou, nesse caso, Danaldo, com um sorriso maroto) a vencer a Clinton, é claro que eles teriam motivos maiores, como ter um fantoche na Casa Branca.

Entretanto, isso me pareceria óbvio demais. Gravar orgias com um cara que sempre foi um escroto em suas declarações não parece ser motivo para controlar ninguém. Suspeito que a ideia russa, se tudo isso for verdade, não é ter um fantoche, mas provocar um cara que se diz nervosinho e tem, agora, o controle de muitas armas.

Pensando bem, isso seria ótimo!

O que seria melhor para dar uma chacoalhada no mundo e na economia norte-americana e da Rússia que uma guerra? Isso, uma guerra, dessas iniciadas de um jeito bem tosco. Dessas que um estopim infame esconde as verdadeiras intenções, como o mundo gosta. Trump lutando contra a terra gelada pela sua honra e orgulho em trepar com prostitutas russas. Isso sim é motivo de um conflito.

Ninguém realmente se importa com inchar a indústria armamentista, investir milhões em pesquisas e ajudar a fortalecer um patriotismo louco e fanático.

Putin sorri. Será que o Donaldo convocará mexicanos para lutar pelas suas orgias?

Enfim, são só delírios, afinal o Kremlin nega oficialmente que tenha tais informações e dados. Como não acreditar?

 

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Os lobos – bora para 2017

Se você não tem paciência de ler um longo texto, fique apenas com o resumo, então. De tudo o que eu disser aqui, deixo o meu obrigado como símbolo das palavras a seguir.
Agradeço seu olhar percorrendo minhas linhas. Talvez eu fosse existir de qualquer forma, mas ser lido dá sentido a toda essa trajetória.

Eu ficaria apenas no lugar comum de dizer que o ano passou rápido, ou devagar. Que foi longo, difícil e cheio de acontecimentos, mas isso seria muito fácil.

Acostumei a dizer que 2016 valeu por uma década e que tenho dó de quem for editar a retrospectiva. Foi um ano apegado, daqueles que não quer terminar e se agarra como um carrapato.

2016, o ano que não sabia terminar.

Daí, obviamente, o último dia do ano nos faz refletir sobre nós mesmos e a mente passa nossa própria retrospectiva. Eu posso dizer que gosto do balanço (trabalhei, aprendi e tentei ensinar coisas, publiquei mais um livro – Anita, acesse aqui -, iniciei projetos, organizei coisas e pude participar de momentos importantes na vida de muitas pessoas que eu amo e pelas quais tenho imenso carinho; desde eventos enormes até longas e infindáveis conversas nas madrugadas quentes e frias que se passaram, sem contar deliciosas brejas regadas a risadas e reflexões), apesar desse ter sido, sim, um ano enlameado, complicado de caminhar como andar na areia fofa ou na neve (para os que curtem mais o inverno).

Havia esperança de muita coisa, várias promessas, desejos. Poucos dos esperados se realizaram, muitos dos impensáveis ocorreram. Foram coisas surpreendentes, maravilhosas, algumas que assustaram, outras deliciosas. Cada acontecimento, espera, ato, nos fez ser algo diferente, revelando faces que antes desconhecíamos de nós.

Eu fui um lobo bom e um lobo mau nesse período, fui o extrovertido e o quieto (apesar de algumas pessoas discordarem desse segundo aspecto), fui o esperto e o imbecil, o proativo e o acomodado.

Entre tantas coisas que fui, assim como vocês que me leem, fui um sobrevivente. Se há algo que minha experiência de vida me conta é que a gente vive muita desgraça, vê muita coisa que não queria. Vemos pessoas que amamos se acabarem por bobagem, vemos pessoas ilustres morrerem, vemos tragédias com jovens que nunca são aceitáveis.

Perdemos famosos e não famosos, a economia pareceu difícil, negócios fecharam, empregos foram encerrados, famílias separadas, casamentos desfeitos, amores eternos postos à prova, e falo dos famosos e anônimos também…

Quando esse tipo de coisa ocorre, nossa fé se abala, a esperança parece uma palavra sem sentido e distante, a dor é maior que a certeza do amanhã.

Mas, como eu dizia, se há algo que minha experiência me diz, é que, de uma forma estranha, sobrevivemos e isso mostra que a vida vale a pena.

Pode ser só estatística pelo fato de a maioria das pessoas que conheço estar tentando sobreviver, mas o que complementa essa quase sensação é que as pessoas que resistem são as únicas que aproveitam bons momentos da vida.

Não falo de grana, apesar de saber o quanto ela ajuda em abundância. Falo de sentar nos degraus de uma escada com familiares e/ou amigos e rir das besteiras do dia a dia. Contar um fato, relembrar um momento, jogar algo que divirta acima da competição.

Essas coisas pequenas, e outras grandes também, claro, fazem com que viver se torne gostoso. Como um bate-papo na cama, uma música sussurrada para alguém por quem se tem carinho, um afago nos cabelos, ou a gargalhada gostosa e expansiva de uma observação impossível de ser contida!

Só quem segue em frente chega lá. Ou melhor, caminha por aí, pois, na verdade, a vida não é um lugar ao qual se chega, mas as trilhas pelas quais seguimos.

Isso também parece bem clichê, mas talvez se repita por ser verdade.

Amo os heróis, os super inclusive, e isso tem motivo. Eles seguem quando a situação está sem solução. Escrevi sobre isso ainda hoje, clique aqui, mas é para lembrar que somos nossos próprios pesadelos, monstros e heróis.

Se aprendermos a nos reconhecer e aceitar, ou forçar a barra para modificar o que desejamos, criamos o que vem a seguir.

Não é fácil, dizem que nada que vale a pena é, mas é saboroso quando realizamos algo ou nos deixamos surpreender pela vida.

Sejam intensos, vivam com paixão. Gritem contra o que não querem, suspirem e encham os pulmões com o que amam, sorriam com o que os agrada e fiquem em silêncio apreciando o que admiram. E agradeço a todos que comigo estiveram nesse ano compartilhando cada um desses momentos, e os convido para estarem no próximo também!

Que seus olhares, os mesmos que me leem, demonstrem ao mundo tudo o que podem e querem fazer, e que modifiquem o que desejarem.

Essas janelas da alma são vias de mão dupla, elas absorvem e entregam coisas do mundo e para o mundo. Você é um pouco de tudo que existe, e altera um pouco de tudo quando existe.

Seja o lobo bom ou o lobo mau, mas uive alto para que todos saibam quando você chama para a caçada, chora uma perda ou admira sua lua cheia, a musa!

Um feliz ano novo. Um fênix 2017 (inicialmente essa frase final era com a palavra “feliz”, mas achei que a sugestão do corretor ficou mais poética e foi uma bela alegoria de renascimento, tão necessário.  Fica a “fênix” e inauguro aqui uma nova forma literária: a poesia de corretor!).

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